Data celebrada em 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra homenageia Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, assassinado por tropas coloniais em 1695 e intensifica o combate contra o racismo

A cultura afro-brasileira desfilou pelas ruas de Valença nesta segunda-feira, 20, para celebrar o Dia da Consciência Negra. De iniciativa do Grupo Afro Filhos da Terra, fundado pela professora Maria Célia Praesent há 25 anos em Valença, a Caminhada Cultural da Consciência Negra contou com a participação de diversos grupos: capoeiristas, músicos, baianas, ‘orixás’, transformistas e bailarinos. Além da riqueza cultural exposta, também foram destaque, os discursos de resistência contra o racismo e a luta por direitos iguais.

Célia Praesent, idealizadora da caminhada e professora de dança afro

Célia Praesent, idealizadora da caminhada e professora de dança afro

“Isso é resistência. Zumbi dos Palmares lutou tanto por essa liberdade que hoje nós temos, mas não por completo, porque algumas pessoas ainda nos excluem. Essa caminhada ajuda a quebrar tabus, a mostrar que somos todos iguais, independente da cor da nossa pele. Eu luto por essa causa!”, frisou a professora Célia Praesent, idealizadora do movimento, em entrevista ao Valença Agora.

Ala dos orixás

Ala dos orixás

Baianas

Baianas

 

A professora do Colégio Estadual João Cardoso dos Santos, Vilma Queiroz, acompanhou e participou da caminhada junto aos seus alunos. “Todos os anos o João Cardoso realiza o projeto da Consciência Negra, e esse ano nós trabalhamos com a figura da mulher negra e colocamos como pauta a importância de estar fortalecendo essa caminhada que tem Célia como grande baluarte. A gente discute esse assunto na escola porque é uma discussão de pertencimento, de identificação, não é algo que está fora da gente, mas que faz parte das nossas vidas”, destacou a professora.

O também professor e músico Zai Pereira, ressaltou que é preciso combater o racismo. “A importância de vir esse momento às ruas é de dar um basta ao racismo que é institucional no Brasil, o racismo só não está no papel, mas é quase uma Lei, a gente vê isso, basta olhar para o lado. Então, esta é uma forma de dizer um basta ao racismo, de pensar nos nossos ancestrais, os africanos que fizeram parte da formação social e que ajudaram a civilizar o Brasil”, afirmou Zai, acrescentando que “a escola deve ser um lugar para discutir essa diversidade e lembrar a memória de Zumbi, de Abdias do Nascimento, entre tantos outros líderes, homens e mulheres que deram a vida por essa causa”.

34

De cima do mini trio, a professora Andrea Luz discursou para os estudantes e comunidade presente na Praça da República, onde a caminhada foi finalizada. “Hoje é um dia de luta e de resistência. Valença precisa se organizar. Cadê nossas escolas, cadê os nossos cartazes? A cada 11 minutos uma mulher negra é morta de forma bárbara. Estamos na maior fatia da miserabilidade. É necessário que se faça educação, seria necessário que hoje essa praça estivesse cheia de cartazes contra o genocídio da população negra, contra a morte armada do Estado contra os nossos jovens. Mais do que desfilar na rua, a gente tem que trazer para esse momento reivindicações. Hoje é o isso é muito mais do que uma data comemorativa, é resistência”, frisou Andréa.

Professor Chico Nascimento

Professor Chico Nascimento

O produtor cultural Chico Nascimento considerou a ocasião, “um momento de luta e resistência”. Chico intimou a população a ir à luta para combater as atrocidades contra o povo negro. “Nós temos que combater sim o genocídio, pois a cada 23 minutos morre um jovem negro. Nós estamos assistindo isso de arquibancada, nós precisamos participar da resistência, temos que ir à luta, ocupar as praças e as ruas”, conclamou.

Os transformistas Scarleth Sangalo e a 'miss beleza internacional'

Os transformistas Scarleth Sangalo e a ‘miss beleza internacional’

O ator transformista Edson Júnior, que dá vida a Scarleth Sangalo, conhecida nacionalmente como cover da cantora Ivete Sangalo, participou da caminhada ao lado de outros transformistas que junto com ele vieram de Salvador. “É um prazer enorme vir pra essa cidade maravilhosa porque as pessoas de Valença nos recebem com um carinho enorme. Além da Parada Gay que eu participei aqui este ano, eu já participo dessa caminhada cultural de Valença há quatro anos através de Célia que é minha amiga e me convida, pelo primeiro ano eu estou vindo como transformista fazendo a ala das felinas”, declarou Scarleth Sangalo. Sobre a importância que ela dá à caminhada, respondeu à reportagem: “O 20 de Novembro é para nós mostramos que nós somos fortes, que nós podemos lutar juntos, independente de raça, de religião ou de opção sexual, por isso eu amo participar”, destacou.

Artistas transformistas

Artistas transformistas

A 10ª Caminhada Cultural da Consciência Negra contou com o apoio dos secretários municipais Janete Vomeri e Marcelo Borges, amigos e comunidade do Pitanga.

Dia Nacional da Consciência Negra

No Brasil, celebra-se o Dia Nacional da Consciência Negra em 20 de novembro. A data foi incluída no calendário escolar nacional em 2003, mas foi oficializada apenas em 2011, pela lei 12.519, sendo celebrada em mais de mil cidades brasileiras.

O Dia da Consciência Negra celebra a consciência afro-brasileira e relembra o aniversário da morte de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares.

 

Confira álbum de fotos:

Se gostou, compartilhe...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.