Espetáculo de fé mais tradicional da Bahia, o cortejo da Lavagem do Bonfim levou uma multidão à Colina Sagrada nesta quinta-feira (11) para reverenciar o Nosso Senhor do Bonfim. A festa, um dos pontos altos do calendário de eventos do estado, reuniu baianos e muitos turistas. Boa parte destes participava pela primeira vez do evento marcado pelo sincretismo das religiões católica e de matriz africana.

O cortejo foi iniciado às 8h por católicos, baianas tipicamente trajadas, políticos, artistas, baianos, turistas e devotos do santo, que se integraram à caminhada em direção à Colina Sagrada.

As bênçãos foram dadas pelo reitor da Basílica, cônego Edson Menezes da Silva, que destacou a importância do combate à intolerância em todas as esferas. “Temos que difundir a solidariedade, a reconciliação e as relações interpessoais. Cada um pode contribuir e lutar por um mundo melhor, fazendo o bem”, destacou durante a missa.

Entre as autoridades que marcaram presença, o prefeito de Salvador, ACM Neto e o governador do Estado, Rui Costa.

O prefeito ACM Neto afirmou durante a Lavagem do Bonfim, que o maior ensinamento da festa para o mundo é o exemplo da tolerância e do respeito às diferenças. Ao ser questionado sobre o sincretismo da lavagem, com as diversas manifestações culturais, ACM Neto contou que se sente orgulhoso em governar Salvador “em função desses ensinamentos”. “Como cidadão a gente já fica muito emocionado. É o momento da gente renovar a fé no Senhor do Bonfim, pedir proteção para essa terra, para nossa cidade e toda a Bahia. Essa é uma cidade única, que realiza um evento único como esse”, declarou.

Prefeito ACM Neto com baianas durante a Lavagem

O prefeito lembrou do investimento da gestão municipal tanto na requalificação da Colina Sagrada quanto na implantação do Caminho da Fé, ligando os santuários de Irmã Dulce à Igreja do Bonfim. Os investimentos foram anunciados ontem em solenidade no Largo do Bonfim. “Vamos mudar inteiramente o patamar visual e urbanístico dessa parte da cidade, investindo no turismo religioso e valorizando ainda mais a fé dos baianos”.

Prefeito ACM Neto com baianas durante a Lavagem

Durante todo o trajeto, que teve início na Igreja da Conceição da Praia, o governador Rui Costa esteve acompanhado por populares, secretários estaduais e parlamentares. “O Senhor do Bonfim tem uma simbologia grande. E mesmo aqueles que não são católicos identificam no Bonfim um momento de fé do povo, independentemente da religião de cada um. É uma demonstração da crença em Deus, da crença nos valores espirituais. Simboliza muito o que é a Bahia, esse sincretismo, essa convivência entre religiões diferentes”, comentou o governador.

Fitinhas do Bonfim – Uma das marcas da Lavagem é a cortina de fitinhas do Bonfim que se forma com cada uma que é amarrada pelos fiéis no gradil da igreja. Também conhecida como medida do Bonfim, as fitinhas medem 47 centímetros de comprimento, a medida do braço direito da estátua de Jesus Cristo, Senhor do Bonfim. A “medida” era confeccionada em seda, com o desenho e o nome do santo bordados à mão e o acabamento feito em tinta dourada ou prateada.

Sincretismo religioso – Ao chegar o cortejo, as baianas seguem uma tradição milenar e lavam com água de cheiro o adro da Basílica. Um pouco mais à frente, pais de santo davam banhos de pipoca e de folhas nos fiéis em frente à escadaria da Basílica. Essa é a forma de quem é do Candomblé saudar e cultuar Oxalá, agradecendo e pedindo forças.

 

História – O culto ao Nosso Senhor do Bonfim começou em 1745, quando a imagem do santo foi trazida pelo capitão Português Teodósio Rodrigues de Farias cumprindo uma promessa que fez depois de ter sobrevivido a uma forte tempestade. As homenagens, no entanto, iniciaram de fato em 1754, ano em que a imagem foi transferida da Igreja da Penha, em Itapagipe, para a sua própria igreja, construída na Colina Sagrada.

 

Segundo relatos históricos, a lavagem do adro da Basílica começou a partir dos moradores da região, que lavavam a igreja para deixá-la pronta para a Festa do Bonfim. Por conta da dança durante o cortejo até a basílica, a limpeza foi proibida, em 1889, pelo arcebispo da Bahia Dom Luís Antônio dos Santos. Após a decisão, adeptos do candomblé começaram a fazer o cortejo para lavar as escadarias.

 

Fonte/Fotos: Assessorias/Governo da Bahia/Prefeitura de Salvador

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