– Pai o que são isso no seu rosto? Diz a pequenina a tocar as marcas no rosto do pai.

– São desenhos filha. Responde o pai afagando os fartos cabelos negros da filha.

-Quem os desenhou papai? Pergunta a pequena com olhos cheios de curiosidade.

– A vida! São desenhos pintados pela vida filha. Responde o pai, com lágrimas nos olhos.

 

Naquele rosto marcado, linhas, rugas e cicatrizes são marcas deixadas na pele de toda uma vida. O olhar guarda recordações de visões e infinidades de imagens vistas ao longo do tempo vivido. O homem guarda em si em sua face a obra da vida, não apenas marcas de feridas, dores vividas, alegrias inusitadas, trata-se da arte esculpidas pela vida ao longo de seu tempo vivido.

Passado guardado e traçado pelo pincel do tempo, as marca disfarçam o olhar cansado, pesaroso das noites e dias que estão por seguir… Os velhos amores também deixaram gravados sua arte, no rosto do homem que suspira. Estes são os mais profundos, pois pintam com a tinta sangue do coração que pulsa no peito daquele pobre homem, amores que chegam não esquentam lugares, não mais espaços. No olhar os sonhos antigos, carregam de dor os suspiros, e o presente persiste em rotas marcas de rostos mostrar o futuro não vivido.

anuncieO orgulho das marcas que tempo fez está naquele olhar, se as cicatrizes existem, se as marcam existem é por que eu vivi a vida que a mim foi dada, eu não sucumbi ao medo, não fui covarde, que meu corpo seja a tela para arte da vida que exponha os tombos que dei meus tropeços, meus arranhões minhas decepções! Se a vida me pintou assim que eu seja a tela viva de todos os sentimentos vividos, sejam eles alegres ou sofridos, mas vividas sim vividas!

Não tenho pesar, nem medo, não me recinto de nada vivido, já fui moço, já fui homem, já fui menino, hoje sou o resultado dos traçados do meu destino. Estou velho, cansado, mas estou vivo, a idade me limita, mas, não me tira das mãos os pinceis da vida. Não tenho por que entristecer ainda tenho um corpo inteiro de rugas para pintar, a minha arte é a minha vida! Os fios brancos de portas reluzentes, a dificuldade de ouvir ou de engolir, não me impediu de empunhar tremulamente esses pinceis.

Foram tantas dores, desgostos, lágrimas, mágoas que hoje estão retratadas em meus rostos, que por vezes clamei: – Pai sei que moro! Mas não foram as derrotas, que me impediram de buscar as vitórias, elas juntas lado a lado me ensinaram a valiosa lição que marcas pintadas pela vida que pincelam dias a pós dias no surrado semblante do homem que peleja para se manter vivo, a certeza de o tempo somente ele é vivido se for sofrido, se for sorrindo, se for chorando, se for cantando se for vivendo!

 

Luz Andréa

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