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Caro leitor, há 7000 mil anos o vinho encontra-se estreitamente ligado à cultura européia e continua a inspirá-la.

A utilização do vinho nas práticascristãsprovém diretamente dos rituais gregos e romanos. O emprego do vinho nos sacramentos tem vínculos diretos com o judaísmo, mas as semelhanças mais fortes são encontradas no culto grego de Dionísio e no culto de Baco, seu equivalente romano. De acordo com a lenda, Dionísio levou o vinho da Ásia Menor, atual Turquia, para a Grécia. Filho de Zeus, ele foi o único deus olimpiano ater um nascimento atípico, humano e divino(o mito é bastante obscuro, ao menos para nós), tendo como mãe uma simples mortal, Sêmele. Ele era a vinha, e o vinho seu sangue.

Dionísio deu à humanidade o vinho e suas bênçãos. Concedeu o êxtase da embriaguez e a redenção espiritual a todos que decidiam abandonar suas riquezas e renunciar o poder material.

Os romanos retomaram os deuses gregos e acrescentaram os seus. Assim, Dionísio transformou-se em Baco – nome que lhe era dado nas cidades gregas da Lídia, na Ásia Menor. De deus do vinho, Baco transformou-se em salvador. Seu culto se difundiu entre as mulheres, os escravos e os pobres – os imperadores tentaram proibi-lo sem muito sucesso. Baco representava o vinho, a ebriedade, os excessos, especialmente sexuais, e a natureza. Príapo é um de seus companheiros favoritos. As festas em sua homenagem eram chamadas de bacanais – a percepção contemporânea de que tais eventos eram “bacanais” no sentido moderno do termo, ou seja, orgias, ainda é motivo de controvérsia.

O cristianismo, cujo desenvolvimento é indissociável do desenvolvimento do Império Romano, retomou numerosos símbolos e ritos báquicos, atraindo em um primeiro momento, as mesmas categorias de fiéis. O significado da Eucaristia é um tema demasiado complexo para ser abordado em poucas linhas. Notemos simplesmente que o vinho da comunhão era ao menos tãonecessário a uma assembléia de cristãos quanto apresença de um padre. Devido ao lugar vital que ocupava na prática religiosa, o vinho subsistiu, mesmo no período sombrio das invasõesbárbaras que se seguiu ao declínio de Roma.

Na idade Romana, o vinho ou a cerveja não eram um luxo, mas uma necessidade. Aágua das cidades era impura, frequentemente perigosa. Fazendo o papel de antisséptico, o vinho era um elemento da medicina rudimentar da época. Era misturado à água para torná-la bebível, se nãopotável. Raramente a água era bebida pura, ao menos nas cidades.

Com a Revolução Industrial, no século XVIII, o vinho perdeu muito em qualidade, porque passou a ser fabricado com técnicas bem menos rústicas, para possibilitar sua produção em massa e venda barata. Embora as antigas tradições tentassem ser preservadas em regiões interioranas francesas, italianas e alemãs, a produção vinícola sofreu modificações irremediáveis para adaptar-se ao mundo industrializado.

No século XX, a vitivinicultura evoluiu muito, acompanhando os avanços da tecnologia e da genética. O cruzamento genético das cepas das uvas, a formação de leveduras transgênicas e a produção mecanizada elevaram substancialmente a qualidade e o sabor do vinho, feito sob medida para agradar os mais diversos paladares.

 

“Ao contrário dos relacionamentos pessoais e profissionais, no vinho a infidelidade é essencial.”

Joao Felipe Clemente

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