Globalização e Migrações

 

amalia-grimaldi

Vivemos apressados, sob um conjunto de fatores e mudanças individuais e de aproximação de nações. ‘Globalização’, sem dúvida, tornou-se uma importante característica desse mundo contemporâneo. Levantando a bandeira do ‘progresso’, o processo da globalização tem em vista quebrar barreiras econômicas entre países de culturas diferentes. Seria um processo gerador de melhorias. Impactante e indispensável, nesse acontecer, a internet entra como elo de uma corrente indestrutível unindo os povos desse planeta.

Nesse processo, o acontecimento malvado de 11 de setembro foi um divisor de águas, separando o ontem do hoje, e deixando um tremendo buraco no lugar do futuro. Se as águas dos oceanos realmente subirão de nível, sigo me perguntando. Filosoficamente falando, o medo, esse inseparável companheiro, sempre nos acompanhará. Por isso ou por aquilo. Parece que vivemos em guerra, em nós mesmos.

Embarcamos nesse meio sem ao menos pedir. Na verdade nós estamos assustados. E, com medo. Progresso, para o homem de hoje pode significaraquela constante ameaça, como a de não poder descer ou embarcar a tempo. De não estar atualizado com a nova moda. Também pelo fato de não conseguir abandonar rapidamente hábitos ultrapassados, e habilidades outras consideradas arcaicas, e assim vir a falhar ao desenvolver novas habilidades substituindo as anteriores. Tenho observado que esse mundo pautado pelo “agora” promete satisfações imediatas, e ridiculariza todos os atrasos e esforços a longo prazo. Mas, as estrelas são cadentes – brilham no rastro, somente à passagem. E, os notáveis então, logo serão esquecidos. É assim mesmo. Vivemos num mundo cada vez mais bambo. O momentum confunde nossos sensos, e embaralha a nossa mente.

Nessa vertigem contemporânea, que nos tonteia e nos joga ao incerto, vivemos angustiados, à espera do que poderia vir mais adiante. Mas digo a você prezado leitor, sou mesmo atrevida, ainda me sinto jovem, embora com algumas rugas, o que ainda não me afetou a capacidade de pensar. Nos dias de hoje, onde a eletrônica predomina, tento dominar meus sensos, e aperfeiçoar meu lado humano rumo ao nono sentido. Após experimentar as sensações do sétimo e do oitavo sentido, agucei minha percepção crítica. E por que não? Esse é o domínio de nós mesmos, rumo ao nono sentido que é somente atingível com o domínio razoável dos outros oito sentidos. Experiência de vida? Diria que sim.

Teremos que ser rápido na de prática ideias criativas, pois o espetáculo do acontecer é rápido, e contínuo. Vejo que o produto de nossas ações sob a avalanche avassaladora do momentum logo será aterrado e esquecido. Como uma estapafúrdia instalação de renomado artista contemporâneo que em bienal de país distante, findado o espetáculo, logo será desmontado. Sem perspectivas, nem promessas de permanência.

Muito embora existindo no processo da globalização uma evidente relação interativa, que seria o ponto de equilíbrio, o fiel da balança, entre liberalização econômica e avanço tecnológico, vejo não se levar em conta a religiosidade da cultura de cada povo. De fato, a tecnologia segue avançando, a uma velocidade tal, além da capacidade humana,ao tentar absorver códigos e sustentar dilemas éticos e morais associados com o ‘progresso’. De olho no calendário procuro fazer frente a essa marcha veloz. O trabalho e os compromissos sociais me absorvem. Os dias parecem voar e, de repente, vejo que a semana acabou. Ainda no sábado mergulho de cabeça nas intenções da semana por chegar.

A marcha desse progresso é avassaladora e os governos de nações não desenvolvidas parecem atrasados no sentido de rever os antigos padrões de suas instituições. Preservar a cultura e a integridade da nação frente às demandas de um capitalismo voraz parece figura do passado. Essa nossa era se caracteriza por quebrar rotinas e subverter tradições. Tudo parece ser permanentemente desmontável. A guerra foi declarada. Estamos presenciando o atual fenômeno das migrações em massa, e isso nos deixa a pensar como será o futuro da humanidade.

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