O jornal Valença Agora encontrou Jhessy Coutinho, profissional do teatro que leva sua arte na cidade de Valença como meio de expressão para a juventude da cidade. Ela desenvolve muitos projetos sociais nas escolas públicas como o Mais Cultura, no CRAS e no Centro de Cultura com o projeto SEIVA.

Retrato de uma mulher guerreira, figura da cidade!

Com doze anos de idade já sabia que queria ser atriz e professora. “Hoje não sei o que eu seria sem fazer teatro. O teatro me transformou. Aprendi a me valorizar com mulher negra, a conhecer minhas raízes, a me aceitar e me fazer ser aceita na sociedade brasileira!”

Sou militante do movimento artístico de todas as linguagens artísticas, sou formada em teatro mas trabalho várias linguagens juntas: circo, música, dança, artes visuais e arte plásticas. Acho que uma linguagem não funciona sozinha, uma puxa a outra. Meus trabalhos são sempre multidisciplinar.

Faz 15 anos que faço teatro, viajei muito com minha profissão, hoje sou técnica de arte cênica na área do teatro contemporâneo Afro-brasileiro. Dou aulas em vários projetos sociais, isso é minha maior paixão, gosto que minha arte alcance um numero grande de crianças e adolescentes de condições sociais desfavorecidas.

Dou aula mais também lidero um grupo de teatro: GRUPO TEATRAL MISTURARTE. Misturarte porque juntamos todas as artes, meu jeito de trabalhar é assim, misturar varias linguagem artísticas para fazer um trabalho mais rico.

Grupo Teatral Misturarte

Grupo Teatral Misturarte

Com o grupo teatral Misturarte estamos realizando o projeto “O que diz minha cor?”

Vamos nos apresentar o dia 14 de maio das 14 horas às 16 horas no Centro de Cultura de Valença com apoio do projeto Mais Cultura. São várias apresentações com os alunos do Colégio Padre Sousa. Realizamos oficinas e apresentações nas escolas públicas. A oficina de dança com Thiago Mascarenhas, oficina de Teatro com Marinaldo Coutinho, oficina de capoeira com Luciano Santos: Contra Mestre PETY, oficina de percussão com Jessé Santos e oficina de penteados afro com Elaine De Jesus.

Terá também apresentação de dança com  Everton Bacella, teatro com Matheus Cardoso e Atilla Fragoso  e Música com David Terra e Zai Pereira. A coordenação do projeto é minha e de Geilson de Brito.

A formação teatral Mistuarte trabalha com o teatro formativo, todo esse trabalho é relacionado a questão da matriz afro brasileira. Não vamos somente trabalhar com teatro mais também com percussão, penteado Afro e a questão da identidade negra.

Quero formar e informar a juventude brasileira a conhecer suas raízes, sua cultura e se expressar usando a arte.

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Ensaio do projeto O que diz minha cor? Com os alunos da escola Padre Souza pelo projeto Mais Cultura. Apresentação dia 14 de maio das 14 horas às 16 horas no Centro de Cultura!

Jornal Valença Agora: É difícil para uma mulher negra trabalhar com teatro?

Muito difícil. A arte no Brasil é elitizada, ela é feita na maioria das vezes por branco para brancos. Já estive em várias companhias de teatro onde era a única negra.

Eu estou envolvida em vários movimentos contra a violência das mulheres, pelo povo negro…

Tem muitas pessoas preconceituosa, eu ando com meu cabelo e passo por várias situações de preconceito.  Os alunos de escola particular onde a maioria é branca ainda me trata diferente porque sou negra. Mas a arte ajuda a vencer o preconceito, eu trabalho muito essa questão da identidade no teatro, a arte te ajuda a criar tua identidade, independente de minha cor, do meu cabelo sou um ser humano igual a vocês. Realizo coisas iguais ou melhor do que vocês.

Nas minhas aulas e apresentações trabalho a imagem do negro na sociedade, quero mudar a imagem que a televisão quer mostrar, aqui o negro não é somente um peão, eu posso ser rainha. A arte ajuda a se libertar!

Sempre motivo os meninos para eles poderem vir e se expressar, mostrar seus talentos!

Para crianças e adolescente o teatro é um muito bom meio de expressão, mais saudável do que ficar na rua e fazer besteira. Estou dando uma oficina para crianças e adolescente cada sábado no Centro de Cultura para o projeto SEIVA. Acho importante a cidade se mobilizar com essa nova possibilidade de atividades para crianças e adolescentes no sábado. Minha oficina é sábado das 14 horas às 17 horas, vamos tirar esses meninos da rua.

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