O sambista Almir Guineto morreu, aos 70 anos, na manhã desta sexta-feira, 5, no Rio de Janeiro, após complicações de problemas renais crônicos e diabetes. Por intermédio das redes sociais, a família do cantor agradeceu pelas orações e o carinho de todos os fãs e admiradores. As informações sobre o velório e o sepultamento ainda não foram divulgadas.

Fundador do grupo Fundo de Quintal, Guineto estava internado desde março. Ele lutava há 17 meses contra problemas renais crônicos. Em junho de 2016, o músico se afastou dos palcos. Ele passaria a tratar uma insuficiência real crônica depois de descobrir o problema de saúde no fim de 2015, quando sentiu fortes dores no corpo antes de um show em São Paulo.

O cantor reconheceu, na época, que o tratamento o havia enfraquecido e impedido cumprir com excelência a agenda de apresentações. Apesar da pausa, ele previa o retorno aos shows para o começo de 2017, o que não foi possível.

Almir Guineto introduziu o banjo no samba, com afinação de cavaquinho, o que lhe rendeu elogios de ser um sambista completo, o rei do pagode. “Agora tem mais de 400 mil banjos por aí”, ironizava sobre a popularização do instrumento na cena musical. Tijucano, viveu no Morro do Salgueiro até 1970. Ali aprendeu a gostar de samba, a tocar instrumentos, e passou a venerar o pavilhão da Acadêmicos do Salgueiro.

Em 2012, quebrou o hiato de 11 anos longe dos estúdios com o CD “Cartão de Visita”. O último trabalho homenageava a cidade do Rio, com músicas inéditas que balançavam o público do eixo Rio-São Paulo ao lado dos clássicos “Caxambu”, “Mel na boca”, “Jiboia”, “Insensato destino” e “Lama nas ruas”. “É igual a andar de bicicleta. A gente não perde as técnicas”, contou ao GLOBO, em entrevista de dezembro de 2013

O carioca é cultuado no mundo do samba, com a inconfundível voz rouca, de dicção por vezes incompreensível, movida no passado por doses de álcool e drogas. Além do banjo, que fazia soar como “reco-reco harmônico”, ele difundiu a magia do jongo e a malícia do partido-alto, segundo o estudioso Nei Lopes explicou em entrevista de 2012. Seu pai, Iraci Serra, era um dos maiores violinistas do samba em seu tempo.

Com o amigo Mussum, o compositor integrou o grupo Originais do Samba a partir de 1969. Mas o banjo de Guineto ganharia eco nas rodas do Cacique de Ramos, nos anos 1970, aliado ao tantã e ao repique de mão. Foi naquelas reuniões que se tornou Cacique ídolo de jovens como Arlindo Cruz, a quem ensinou a tocar banho, e Zeca Pagodinho. O novo som seria consagrado pelo Fundo de Quintal, cuja primeira formação trazia o tijucano.

Informações do Extra

Foto: Reprodução/Facebook

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