carlos-magno

Um tempo desses, eu já estava em Brasília, contudo visitava Goiânia. Fui ao cinema em um dos shoppings. Sentei-me. Tomaria um café. Eu estava com uma amiga, que mais tarde foi comigo para a Espanha. Uma bela viagem que nos levou ao Priorato.Instigante região produtora de um vinho de muita personalidade. Mineral, robusto, elegante, equilibrado e caro. Infelizmente. Sim, mas antes que minha leitora se embriague e que meu leitor peça mais uma taça, volto ao café no shopping.

Conversávamos, eu e a amiga, quando observei, no fundo do café. Numa mesa, um senhor. Era um homem que julguei conhecer. Não poderia encará-lo para ter certeza de que era realmente quem eu imaginava que fosse. Pagamos a conta e, antes de sairmos, pedi licença à minha bonita amiga e me dirigi ao homem. Estendi-lhe a mão em cumprimento e, já pedindo desculpas, fui perguntando se ele era Gilberto Santana. Ele ficou surpreso com o choque da minha abordagem e confirmou. Apertamos as mãos e me identifiquei para ele. Falei que era de Piracanjuba, filho do Jair de Melo, dono do Bar Castelo, em Piracanjuba e do Bar Serra Dourada, em Goiânia. Disse ainda que era muito amigo do primo dele, o Celso Santana, da Leila Santana, irmã dele. Gilberto Santana conhecia o Papai e sorriu largo. Solicitou-me que me sentasse. Agradeci e justifiquei que deveria ir ao cinema. Minha amiga estava me esperando. Apontei para mesa onde ela me sorria. Ele acenou com a cabeça, ao que ela respondeu com um thauzinho e com um gracioso sorriso.

Ao despedirmos, apertamos as mãos mais uma vez e eu, então, falei que o admirava muito pela coragem que ele tivera no dia do golpe de 64. Eu tinha um rádio portátil e ouvia sobre o começo do que seria uma prolongada ditadura no Brasil. Jango estava sendo deposto. O Congresso Nacional, em sessão permanente. Deputados discursavam e concediam apartes e o clima era de nervosismo. Então, um jovem deputado por Goiás ocupou a tribuna e proferiu enérgico discurso em defesa da legalidade. Usou palavras duras contra os golpistas. Foi uma oração de grande bravura. Senti-me orgulhoso daquele deputado e de ele ser de Piracanjuba, minha terra natal e por ser filho de um amigo do Papai. E ele falava coisas que eu gostaria de falar. E ele era aplaudido pelos pares. Tamanha coragem em um jovem deputado goiano. Meu peito inflava de satisfação.

Falei ao homem no café que sempre tivera vontade de cumprimentá-lo por aquele discurso e o fazia naquela hora, com atraso. Ele se levantou e nos abraçamos emocionados. Antes de sair, ainda falei que iria escrever uma crônica sobre o nosso encontro. Ontem, eu o reencontrei, no mesmo shopping, no mesmo café. Cumprimentei-o. Rápidamente tocamos no assunto da crônica. Eu lhe afirmei que a havia escrito. Mas, depois, fui ver. Não a escrevi. Então, fiz a prometida crônica, conforme atestam estas palavras impressas no nosso bravo “Valença Agora”. Com certo atraso. Mais antes do que nunca.

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