moacir-saraiva

Mesmo com as distâncias física e temporal, os vínculos de bons amigos não se esmaecem, permanecem bem vivos, apenas ficam hibernando, e quando o reencontro acontece é só alegria. Nesta semana, recebi um amigo que não via há vinte anos, foi contemporâneo da Escola Técnica Federal da Bahia, no Barbalho, em Salvador. Desfrutamos de um bom vinho e muita conversa interessante, encontros como estes só ficam no patamar abaixo de encontros nos quais se está com a pessoa amada.

Conversamos sobre filhos, ele falou da neta, engraçado que todo avô ou avó ao se referirem a filho ou filha de filhos, como o olhar se transforma e os olhos ganham um brilho, o sorriso se abre espontaneamente e a fala ganha um tom de gente muito feliz. Depois voltamos ao assunto principal nosso que é a literatura, o sujeito é um escritor, já ganhou concursos nacionais e internacionais tanto em poesia como contos, além de enveredar por estas modalidades de textos, tem romance publicado.

Ele me presenteou seu mais recente livro um livro de poemas, tentou publicar no Brasil, não conseguiu, apresentou a uma editora de Lisboa, esta comprou a idéia o publicou e está vendendo para os países que falam a língua portuguesa. São poemas com uma formatação bem definida, aldravias, com apenas seis versos, cada verso com um vocábulo apenas, sem título, talvez seja tão complexo de criá-lo como um soneto. Eis aqui dois exemplos de Aldravias, retirado do livro Aldraviandas do amigo Jair Aráujo, publicado pela Chiado editora, de Lisboa e que está tendo boas vendas na Europa:

no                                                     natureza

político                                             geme

palavra                                              poetas

é                                                       proclamam

lavra                                                 poderosos

vã                                                     enganam

 

Eis aí dois textos exemplificando o que vem ser aldravia.

Além da obra Aldraviandas, me presentou com mais dois livros de antologias, contendo textos dele, um de conto, publicado pela Academia Mineira de Letras , resultado de um concurso nacional e um outro livro de aldravia, outra antologia.

É um professor aposentado e que se dedica à literatura e palestras em escolas sobre sua arte.

Amigo, Jair, como foi bom este reencontro, como faz bem a alma ter conversas boas e enriquecedoras. Um bom papo, regado a um bom  vinho é a antevisão do paraíso.

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