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A sociedade sempre agiu da mesma forma com relação a políticos: uns são odiados, outros amados e outros adotados como de estimação.

Aos primeiros, parte da população odeia como se o sujeito fosse portador de todos os defeitos do mundo, nada, nada mesmo ele tem de positivo. Essa prática é usada muito por questões partidárias, ideológicas, ou pior, quando pleitos particulares não são atendidos ou frustrados. Alguns que odeiam foram desalojados de cargos ou de benesses e se voltam com toda sua ira contra aquele que o tirou do bem bom. Outros odeiam por questões ideológicas partidárias, o partido do qual ele faz parte está na oposição ou foi jogado para lá e aí nada, que o outro apresenta,  tem valor. Este grupo que pensa assim tem a seguinte assertiva: Democracia é quando meu grupo está no poder e ditadura é quando os outros estão governando.

Com esta verdade, nenhum político que não seja de sua corrente presta, só seu grupo sabe governar, só seu grupo sabe pensar, só o grupo do qual ele é partidário apresenta propostas boas para o país, estado ou município. O sujeito se torna um fanático pelo partido, pelas idéias defendidas por sua agremiação partidária. Reforçado, também, pela máxima de Sartre: “O inferno são os outros”.

Por outro lado, alguns amam os políticos, amam loucamente, apaixonadamente. No Brasil, até hoje, apesar de Getúlio Vargas ter partido há muito tempo, ainda se encontram nos rincões desta terra, pessoas que estampam em suas paredes domésticas fotos do ex-presidente, a quem o chamam de “pai dos pobres”. Um amor incondicional. Este amor faz com que também, no amado só se veja qualidades, como todo amante. Mesmo o sujeito tendo, ao longo do seu mandato, atitudes não compatíveis com um governante, ainda assim, o amante não enxerga e tudo reverte para defender o político amado.

Há um terceiro tipo,  são pessoas que adotam um político, como se adota um cachorro de estimação, um gato. O político é todo engraçadinho, só faz coisa bonita, coisa boa. Tudo que ele faz é digno de admiração, é digno de aplauso. Antes só se via tais manifestações, nos bares, nas padarias, nas “barbearias”, hoje, salão de beleza, nas feiras livres, enfim, nesses ambientes e em outros, o sujeito verbalizava sobre seu político de estimação e aí quem falasse mal, sofria represálias. Agora, no mundo das redes sociais, tais manifestações emergem e com força nelas. Incrível como partidários de vários políticos se manifestam com amor, com paixão e quem discordar da sua postagem, logo, o sujeito desfere chumbo grosso contra aquele ou aqueles que  não acolheram seu político de estimação.

A postura da sociedade não vai mudar, evolui a forma de se manifestar e os homens continuaram a ter as mesmas atitudes desde que o mundo é mundo, portanto, não sei também se teremos uma sociedade mais fraterna.

 

*Publicado na edição impressa nº 598, do jornal Valença Agora.

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