carlos-magno

Na estrada, entre Brasília e Goiânia, fica Abadiânia. Cento e poucos quilômetros. Alí, inaugurou-se o Route 60. Formou-se um “poit”. Local de encontros de amantes de motos. Belas motos. São máquinas de grande potência. Beleza inoxidável. Várias. Reluzentes. Roncos possantes. É gostoso ouvir uma moto daquelas roncando. Dezenas. Os motoqueiros se encontram ali. Viajam em grupos. São vinte, trinta ou mais. Todos paramentados. Roupas de couro, capacetes, botas, luvas e tudo o que se possa imaginar no sentido de segurança, sofisticação e bom gosto. São os modernos cavaleiros andantes. As donzelas, na garupa. Mulheres igualmente paramentadas. Pessoas alegres. Saudáveis. Uma confraria de mentes livres.

Todas as vezes em que viajo para Goiânia, na ida, faço uma parada no Route 60. Esticar as pernas. Nem precisa, entretanto, paro. Tomar água, café, suco e comer um empadão goiano (precisa). Mas minhas paradas são motivadas pelas motos. Gosto de observar. Nunca fui, até hoje a Goiânia, buscar remédio. Sempre tenho tempo. Demoro-me por ali. Vejo. Ouço. Observo. Fotografo. São homens maduros. Livres. Mulheres bonitas. Elegantes. Altivas. Esportistas. Homens e mulheres que sonham. E vivem o sonho. Libertários.

Eles passam por mim na estrada. Aquelas máquinas intrépidas. Eles e elas, encouraçados. Adesivos. Indumentárias escuras. Armaduras modernas dos modernos cavaleiros. Quase todos de negro. A princípio, não sei se são condores em voos rasantes. Não sei se são búfalos selvagens correndo pelo asfalto. Nem se são formigas valentes desafiando o mundo nos trilheiros. Só sei que eles buscam o espaço. Buscam o caminho de ir e de vir. Buscam um bem inalienável: a liberdade.

No Route 60, conheci o motoqueiro Jales. Conheci a motoqueira Rosemary. Conversamos. Gente boa. Lembrei-me da minha amiga de Valença. Tininha Rosemberg. Aventureira nas estradas da pátria Bahia em motos robustas e bem desenhadas. Lembrei-me dos olhos dela brilhando quando me falou das viagens nas motos, país baiano afora.

Despedi dos novos amigos. Segui viagem. Logo o bando me ultrapassou. Todos em suas fantásticas máquinas rompantes. Soltos. O vento. O céu. O limite do horizonte ampliado. Liberdade materializada. Por um instante, eu viajei com eles. Até que chegou uma curva suave e os condores, mais rápidos, ganharam outra dimensão. Fique encantado. Meu coração bateu mais rápido. Meus olhos devem ter brilhado. Eu sei. Eles brilharam.

Sei que tenho uma forte relação com as motos. Papai, quando eu e minhas irmãs éramos crianças, ia com a Mamãe na garupa e nós enganchados. Os quatro. Bip.. Bip…

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