Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 90% dos suicídios poderiam ser evitados

Hoje, o suicídio no país já faz mais vítimas que a AIDS e mata mais do que vários tipos de câncer e, mesmo assim, muitas pessoas ainda não discutem o assunto e têm medo de encarar as doenças psicológicas que, muitas vezes, levam à morte.

O movimento do Setembro Amarelo é mundial e ocorre no Brasil desde 2014. Ele tem duração de 30 dias e foi escolhido para acontecer no nono mês do ano, pois o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Ele foi trazido ao Brasil pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).

No Brasil, a cada 100 mil pessoas, quase sete tiraram a própria vida em 2012, segundo a pesquisa mais recente da Organização Mundial da Saúde. Além disso, a OMS afirma que, para cada suicídio, podem ter ocorrido mais de 20 outras tentativas que não deram certo, além de muitas pessoas que consideraram fortemente. Apesar de o País ter uma taxa baixa comparado a nações como a Índia, que passa de 30 casos em 100 mil habitantes, o suicídio é considerado um problema de saúde pública. A boa notícia é que, segundo a OMS, nove em cada dez casos poderiam ser prevenidos por estarem associados a distúrbios de ordem mental diagnosticáveis e tratáveis, principalmente a depressão e a dependência química. Ou seja, 90% dos casos de autoextermínio podem ser evitados, onde houver o diagnóstico dessas patologias, o devido tratamento e a assistência e apoio das redes de cuidado e atenção.

Além dos sintomas característicos das psicopatologias associadas ao suicídio (depressão, transtornos relacionados ao uso de substâncias, esquizofrenia, transtornos de personalidade, etc) é importante acompanhar eventuais mudanças de comportamento que indiquem a tendência ao isolamento social, desinteresse generalizado, angústia e aflição, baixo rendimento escolar ou produtividade. São alguns indícios de que algo pode estar errado.

Entre os fatores de risco associados com o suicídio estão transtornos mentais, como depressão, alcoolismo, esquizofrenia; questões como isolamento social, desemprego, migrantes; questões psicológicas, como perdas recentes, dinâmica familiar; e condições clínicas incapacitantes, como lesões desfigurantes, dor crônica e câncer.

A Campanha Setembro Amarelo tem como objetivo chamar a atenção de todos para esta causa que é o suicídio e, principalmente dizer que é possível preveni-lo, buscando perceber a dor do outro, nos ouvindo mais, dando mais espaço para conversar abertamente sobre a prevenção e as consequências do suicídio.

SET-4

 

MITOS COMUNS SOBRE COMPORTAMENTOS SUICIDAS

Mito1: as pessoas que falam sobre o suicídio não farão mal a si
próprias, pois querem apenas chamar a atenção. Isto é FALSO!

Todas as ameaças de se fazer mal, devem ser levadas muito a sério.
Mito 2: o suicídio é sempre impulsivo e acontece sem aviso. FALSO!

Morrer pelas suas próprias mãos pode parecer ter sido
impulsivo, mas o suicídio pode ter sido ponderado durante algum
tempo. Muitos indivíduos suicidas comunicam algum tipo de
mensagem verbal ou comportamental sobre as suas ideações da
intenção de se fazerem mal.
Mito 3: os indivíduos suicidas querem mesmo morrer ou estão
decididos a matar-se. FALSO.

A maioria das pessoas que se sentem suicidas partilham os seus pensamentos com pelo menos uma outra pessoa, ou ligam para uma linha telefónica de
emergência ou para um médico, o que constitui prova de
ambivalência, e não de empenhamento em se matar.
Mito 4: quando um indivíduo mostra sinais de melhoria ou
sobrevive a uma tentativa de suicídio, está fora de perigo. FALSO!

Na verdade, um dos períodos mais perigosos é imediatamente depois da crise, ou quando a pessoa está no hospital, na sequência de uma tentativa. A semana que se segue à alta do hospital é um período durante o qual a pessoa está
particularmente fragilizada e em perigo de se fazer mal. Como um
preditor do comportamento futuro é o comportamento passado, a
pessoa suicida muitas vezes continua em risco.
Mito 5: o suicídio é sempre hereditário. FALSO!

Nem todos os suicídios podem ser associados à hereditariedade e estudos
conclusivos são limitados. Uma história familiar de suicídio, no
entanto, é um factor de risco importante para o comportamento
suicida, particularmente em famílias onde a depressão é comum.
Mito 6: os indivíduos que tentam ou cometem suicídio têm
sempre alguma perturbação mental. FALSO!

Os comportamentos suicidas têm sido associados à depressão, abuso de substâncias, esquizofrenia e outras perturbações mentais, além de aos
comportamentos destrutivos e agressivos. No entanto, esta
associação não deve ser sobrestimada. A proporção relativa
destas perturbações varia de lugar para lugar e há casos em que
nenhuma perturbação mental foi detectada.
Mito 7: se um conselheiro falar com um cliente sobre suicídio, o
conselheiro está a dar a ideia de suicídio à pessoa. FALSO!

Um conselheiro obviamente não causa comportamento suicida
simplesmente por perguntar aos clientes se estão a considerar
fazer-se mal. Na verdade, reconhecer que o estado emocional do
indivíduo é real, e tentar normalizar a situação induzida pelo stress
são componentes necessários para a redução da ideação
suicida.
Mito 8: o suicídio só acontece “àqueles outros tipos de pessoas,”
não a nós. FALSO!

O suicídio acontece a todos os tipos de pessoas e encontra-se em todos os tipos de sistemas sociais e de famílias.
Mito 9: após uma pessoa tentar cometer suicídio uma vez, nunca
voltará a tentar novamente. FALSO!

Na verdade, as tentativas de suicídio são um preditor crucial do suicídio
Mito 10: as crianças não cometem suicídio dado que não
entendem que a morte é final e são cognitivamente incapazes de
se empenhar num ato suicida. FALSO!

Embora seja raro, as crianças cometem suicídio e, qualquer gesto, em
qualquer idade, deve ser levado muito seriamente.

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