O surto de malária que atinge o município de Wenceslau Guimarães registrou a morte de Luciene Sousa dos Santos, 31 anos, que morava em Chico Lopes, área rural do município. A informação foi divulgada pelo prefeito de Wenceslau Guimarães, Carlos Alberto Liotério e confirmada pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab).

 

Luciene estava internada desde o último dia 17 na própria cidade, mas foi transferida no dia seguinte para Valença, no Baixo Sul, e devido ao agravamento do caso, foi encaminhada para Ilhéus, Sul do estado, no dia 20. A prefeitura foi informada do falecimento da paciente na tarde desta segunda-feira (22).

 

A Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) confirmou 21 casos da doença, incluindo um óbito. A pasta afirmou, por meio da assessoria, que a Vigilância Epidemiológica ainda investiga se a causa da morte do homem de 33 anos, divulgada no último dia 18, foi mesmo malária. De acordo com a Sesab, a Vigilância Epidemiológica do Estado tenta conseguir mais amostras de sangue do paciente, para atestar a malária como causa da morte.

 

Dentre os 13 internados, oito são crianças. Destas, cinco estão na Santa Casa de Misericórdia, em Valença, duas no Hospital Manoel Novaes, em Itabuna, e uma no Hospital Irmã Dulce, em Salvador, de acordo com o prefeito; os demais seguem em tratamento no hospital municipal de Wenceslau Guimarães.

 

Investigação
Segundo a Sesab, todos os casos de malária na Bahia em 2018 foram registrados em Wenceslau Guimarães. Dos 23 casos relatados pela prefeitura, 22 pacientes eram moradores da região de Chico Lopes, um assentamento na área rural do município.

 

Apenas um dos pacientes não morava na cidade. “O cidadão é residente de Presidente Tancredo Neves [a 26 km de distância] e veio a trabalho para essa comunidade e foi contaminado”, explica o prefeito. O homem segue internado em Wenceslau Guimarães.

 

Os casos registrados em 2018 são classificados como autóctones – ou seja, manifestados no local de origem da doença. Até então, o último caso de malária contraída e identificada na Bahia tinha sido em 2010, em Porto Seguro.

 

Em 2017, nove casos de malária foram notificados no estado, sendo oito em Salvador – todos adquiridos em outras localidades, dentre elas, no estado do Amazonas, e em países como Filipinas, Congo, Costa do Marfim e Angola.

 

Surto
Wenceslau Guimarães vive um surto da doença, ou seja, houve aumento rápido, e acima do esperado, do número de casos na região. Entretanto, o prefeito Liotério afirma que a situação está controlada.

De acordo com ele, os óbitos ocorreram devido à demora na procura por atendimento. “Pelo fato de a malária ser uma doença que há muito tempo na Bahia não ouvíamos falar, talvez os pacientes não imaginavam que o diagnóstico pudesse ser esse. Quando a equipe médica coletou o material, eles já estavam em situação grave”, explicou.

 

O prefeito diz ainda que desde o último dia 16, quando o primeiro caso de malária foi confirmado na cidade, a equipe de saúde foi preparada para identificar outras ocorrências.

 

“Nós atualizamos toda a equipe de saúde, deixamos todas as unidades prontas para receber esse público, montamos posto de coleta na unidade hospitalar do município para atender essas pessoas com suspeita de malária, identificamos a área infestada e neutralizamos toda a região do entorno”, contou Liotério.

 

Doença
Os sintomas da malária são febre alta, calafrios, tremores, sudorese e dor de cabeça, que podem ocorrer de forma cíclica. Muitas pessoas também sentem previamente náuseas, vômitos, cansaço e falta de apetite. Em casos graves, há o desenvolvimento de pelo menos um dos sintomas: prostração, alteração da consciência, dispnéia (falta de ar) ou hiperventilação, convulsões, hipotensão arterial ou choque, hemorragias, dentre outros sinais.

 

A malária é uma doença infecciosa, causada por protozoários transmitidos pela fêmea infectada do mosquito do gênero Anopheles. No Brasil existem três espécies de protozoários que estão associados à malária em seres humanos: Plasmodium vivaxPlasmodium falciparum e Plasmodium malariae. O diagnóstico da malária é realizado pelo exame da gota espessa de sangue.

 

Em caso de suspeita, a Sesab recomenda que o paciente procure atendimento no serviço de saúde do município para diagnóstico. Segundo o Ministério da Saúde, após a confirmação da enfermidade, o paciente recebe o tratamento em regime ambulatorial, com comprimidos que são fornecidos gratuitamente em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Apenas pacientes que apresentam gravidade da doença são hospitalizados. O tratamento garante a cura da doença quando realizado de maneira correta e em tempo hábil.

 

Com informações do CORREIO

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