A votação foi realizada pelo site especializado de música ‘el cabong’. O EP Arado de Rafique Nasser conquistou a 7ª colocação; o disco ‘Esú’ de Baco Exu do Blues ficou em 1º lugar.

Em 2017, no cenário musical baiano, foram lançados 155 álbuns, entre CDs físicos, EP e discos virtuais, dos mais diversos estilos. Trabalhos de rock, experimental, jazz, instrumental, rap, pop, reggae, axé, afro-pop, entre outros. Na votação realizada pelo site ‘el cabong’, especializado no segmento, ficou claro que além de diversa nos gêneros e ritmos musicais, a produção baiana também é descentralizada, com vários trabalhos de artistas do interior do estado.

 

Foram mais de 4 mil votos, com o jovem rapper Baco Exu do Blues abocanhando o primeiro lugar, seguindo pela banda Flerte Flamingo, em segundo. A margem de votos entre o terceiro e o quinto colocados não chegou a 40 votos, ficando BaianaSystem, Vovó do Mangue e Aiace com 4% dos votos e tecnicamente empatados. Na sequência entre o sexto e o nono, foram 20 votos de diferença, para quatro discos, com OQuadro, Rafique Nasser, Iorigun e Luedji Luna praticamente empatados. Na décima posição, aparece a cantora Xênia França.

 

ARADO

FOTO DIVULGAÇÃO

O EP leva o nome da canção que iniciou este processo. Foto: Isaías Cobra

De música popular brasileira com influências das vanguardas nordestinas da década de 1970, o EP Arado, do valenciano Rafique Nasser que conquistou 7º lugar entre os melhores discos produzidos na Bahia em 2017, foi lançado via youtube, em setembro. O show de lançamento aconteceu no Centro de Cultura de Valença, em outubro passado. Trata-se de um projeto conceitual que congregou músicos de Cruz das Almas, Ipiaú, Itabuna, Ilhéus, Eunápolis e Valença.

“Fico muito feliz que nosso trabalho tenha sido lançado em 2017, ano de grandes lançamentos no cenário baiano, e que esteja aí, pela votação popular promovida pelo El Cabong, entre os 10 melhores da Bahia no ano passado. Há um mundo de gente para agradecer. Entretanto, deixo aqui destacadas as figuras guerreiras da comunidade tradicional de Graciosa, os compositores Alan Tremedal, Erahsto Felício e Ayam Ubráis Barco, que são parceiros de canções neste EP, e todos os companheiros músicos que araram nesta labuta. Viva a gravadora Canoa Sonora e o Bolando – Projeto cinematográfico que fez as gravações ao vivo do show de lançamento no Olívia Barradas – Tenho fé que 2018 será um ano de “Aranças”, seguimos em caminhada”, declarou Rafique, ao Valença Agora, sobre a conquista.

No Facebook, a Canoa Sonora, gravadora do EP Arado, que tem como produtor Erahsto Felício, comemorou: “Todo nosso trabalho foi colaborativo, cheio de amores e doações. Construímos uma família e doamos ao povo um som original, criativo, engajado e feito com muito carinho para ouvi. A cena independente se fortalece a cada caminhada. É só o começo!”

MAIS SOBRE O ÁLBUM

O EP leva o nome da canção que iniciou este processo. Em ‘Arado’ (composta em parceria com Ayam Ubrais), Rafique dialoga com a estupidez das pessoas que não dimensiona nem a importância do trabalho na terra (que leva comida à mesa), tampouco o trabalho da arte (que leva amor e reflexão à vida), gente que “não sabe que o rasgo na terra é preciso”. A arte e o trabalho rural são obras coletivas. Sempre precisa de um outro, uma outra. E foi assim que começou a tecitura deste EP realizado a muitas mãos. O projeto conta com o mestre rabequeiro Will Marques (que já tinha contribuído com o aperfeiçoamento de Rafique ao violão no ensino médio), o percussionista Petry Lordelo, o contrabaixista e diretor musical Danilo Ornelas (Mulheres em Domínio Público), a sensibilidade da craviola de Raoni Veloso, a flauta de Anselmo Farias (Viola de Bolso) a guitarra de Ismera Rock e as vozes de Ayam Ubrais Barco, Rebeca Vivas, Tais Carvalho e Nil Lima. Tudo isto feito de forma colaborativa. Foi gravado no estúdio 1003 (Salvador), Canoa Sonora (Ilhéus) e Viola de Bolso (Eunápolis). A produção cultural foi realizada por Erahs, a produção fonográfica e mixagem ficaram a cargo de Ismera Rock, tendo a direção de vozes e artes 2 da capa por Ayam Ubrais Barco, a direção musical de Danilo Ornelas e masterização por Átila Santana (IFÁ Afrobeat). A história dentro das canções do EP ainda ressalta a luta do trabalhador pela sua diversão, lazer, ócio através da canção ‘Dom Bosco’ (única que não é de autoria de Rafique), onde a embriagues com o vinho barato e a dor de cabeça clamam por aproximar o eu/trabalhador da amada enquanto se poupa o pouco dinheiro que há para brindar a vida. Curado da ressaca, Nasser olha a terra cultivada e vê ela como fruto da lida, do suor, vida e fome de quem planta. ‘Nessa terra’ é um clamor por justiça social de quem observa que até as lágrimas servem para molhar o chão seco. Ela absorve a dificuldade de amar em meio aos temores: “Nossos amores, formas de fugir do medo. De guardar mil segredos que o ladrão não pode descobrir”. A música que finaliza o disco é uma convocação sensível a duas jornadas de luta, a interior em busca dos muitos amores, e a exterior em busca da justiça social. ‘Manifesta’ (composta em parceria com Erahs) afirma que a poesia é a alma que habita o corpo – uma casa de argila – e que apesar de estarmos medindo “o tombo antes de cair”, nosso destino é manifestar, é cair para dentro, é gritar fora, ocupar, tomar o lugar, tornar-se quem temos ainda que ser. (Texto de descrição artística do álbum)

Ouça Arado neste link:

https://www.youtube.com/watch?v=tQzlpaQDidM&list=PLilxSFlE_BRuDwuk3quqJsCM3APaUasP-

 

Da redação. Com informações do site el cabong.

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