Maria Célia Praesent e seu entusiasmo  todas as terças e quintas-feiras das 19:30h até 21:30h e no sábado às 19:00h .

Maria Célia desenvolve um trabalho social para crianças e adolescente. Ela ensina a dança Afro, suas origens e todos seus fundamentos. Além da dança as aulas ensinam para os jovens a origem da cultura afro-brasileira.

celia 11

Um dos principais objetivos do trabalho de dança é resgatar a cultura dos valencianos para ajudá-los na construção da sua identidade social-politica e étnica, afim de, fortalecer sua autoestima potencializando como transformador da sua realidade e da comunidade na qual vive.

Esse trabalho é desenvolvido para as crianças e adolescentes de comunidade carentes da periferia, em sua maioria residentes em locais de alta periculosidade. As aulas são complementação das atividades escolares, e proporciona horas de lazer e aprendizagem para que se afastem das ruas evitando o envolvimento com situações de risco tais como: drogas, exploração do trabalho infantil, prostituição, gravidez precoce e outros transtornos que possam fazer com que se afastem das escolas, da cultura do saber, brincar, até mesmo, de sua própria família.

Dentro desse contexto, a dança esta sendo utilizada como ferramenta pedagógica e possibilita o aprender fazendo, desenvolvendo o senso da compreensão das relações interpessoais e abrindo caminhos para uma melhor compreensão do mundo.

Quem é Maria Célia Praesent ?

 celia 4

Eu nasci em Salvador mais faz já 30 anos que moro em Valença, “Sou valenciana de coração”!

Nasci numa favela da periferia de Salvador, venho de uma família muito humilde, quando você mora dentro de uma favela você tem duas escolhas o caminho do bem ou o caminho do mal, o problema é que a fronteira entre os dois é como uma linha tênue, eu preferi o bem e poder estar em qualquer lugar com a cabeça erguida, apesar de que, em meu bairro o caminho do mal e muito fácil de ter acesso, então fazer o bem e querer sair da favela, estudar se profissionalizar é um ato de resistência! Não foi fácil! Considero-me uma vencedora!

Comecei a dançar com 15 anos, aprendi a dançar na rua nos blocos afro de Salvador, olhando e me divertindo. Fui rainha do Ilê Aiyê, rainha do Araketu , desde então, nunca parei de dançar.

celia 12

 

Quando abriu a escola de dança da FUNCEB no Pelourinho, comecei a frequentar e me formei como professor de dança. Dentre todos os cursos de dança que fizeram parte da minha formação o que mais me identifiquei e pude me afirmar como mulher negra e potencial transformadora da minha realidade foi o de técnica da Dança Afro.

Porque você vei morar em Valença?

Desde a adolescência sempre sonhei de ter uma casa com varanda a onde poderia ter uma horta, e animais. Quando morava com minha mãe sempre tiníamos um pequeno quintal para plantar e criar bicho.

Depois conheci Bernardo, meu falecido marido, começamos a viajar juntos e, chegamos á Valença para passar o réveillon em Boipeba. Por esse momento ficamos apaixonados pela cidade, principalmente com o rio Una, apesar de ser muito poluído, ele é lindo! Quando passeamos pela orla, ele estava cheio e vi que tinha barcos flutuando, por isso, fiquei feliz e resolvemos comprar um sitio na saída da cidade, e até hoje eu morro lá.

celia 15

Como você começou a dar aula de dança?

celia 1celia 2

Tinha parado de dançar quando vim para Valença, Marcela Basto começou com um trabalho de oficina na fazenda dela, eu frequentava com minhas filhas pequenas na época.

Desse modo, eu quis contribuir dando aula de dança afro, e também de turbante e penteado Afro. Fizemos várias apresentação muito lindas na época. Depois disso, nunca parei de dar aula na cidade.

Fiz um trabalho com Mestre Nelson que me convidou para dar aula na Associação Atlética, e agora faz 18 anos que eu dou aula no Centro de Cultura, de Valença.

No início quando comecei a dar aulas muitas pessoas tinham preconceito com a dança Afro e misturavam com o Candomblé mais é totalmente diferente, hoje as pessoas conhecem mais meu trabalho e nos convidam para fazer apresentação nas escolas.

A caminhada cultural do 20 de novembro

celia 9

Percebi que o 20 de novembro em Valença não tinha comemorações nenhuma, apenas, havia um grupo de menos de dez pessoas que se reunia na Praça da Republica, por isso , eu quis criar um evento para mobilizar a população da cidade, pois considero essa causa muito importante para o povo brasileiro.

Cada ano estou fazendo esse movimento com meu grupo filhos da Terra esse ano foi a 8° caminhada, Para isso, conto com a colaboração dos comerciantes de Valença que me ajudam, assim como, a prefeitura, trago um grupo de Salvador, para trocarmos experiências e somar nesse dia de celebração, com dança, percussão, debates, oficinas de turbantes, toda uma mobilização a cerca dos saberes étnicos culturais Brasil e Africas, para fins de fortalecer nosso sentimento de pertença e memorias ancestrais.

“Nunca vou parar com ou sem ajuda vamos continuar a nos mobilizar nesta data”!

Nova Imagem (1)

DEPOIMENTO De dois alunos:

Jéssica, 20 anos: “Comecei a dançar com Cèlia, tinha 7 anos de idade! Desde pequena sempre gostei de dançar , comecei a dançar afro na ONG de dona Jovin , a primeira vez que conheci Célia comecei a segui-la, aonde ela ia dar aula, eu ia atrás . Quero ser professora de dança! Quando eu danço sinto alegria, quando estou triste colocou um som e danço, fico muito alegre! ‘

Bartolomeu conhecido como Beto Mel: ‘Comecei com Célia quatro anos atrás, me identifico muito com a  dança de Célia, é um pouco parecida com a dança de minha religião, o candomblé , não é igual, mas tem semelhanças. Me identifico muito devido a ligação da dança afro com a  dança dos orixás ! Quando danço me sinto bem, me sinto preparado para o próximo dia, cada dia que passa me sinto melhor, antes tinha problema sério de asma e a dança ajudou a melhorar muito, para mim dança é alegria, paz e saúde! A dança para mim e essencial para nossa saúde!

Participar do Grupo filhos da Terra é uma honra me sinto muito privilegiado, tenho muito orgulho de nosso trabalho! Tenho um respeito enorme por Célia!

celia 3

Everton Bacella – 22 anos. Bailarino iniciou em Valença no Grupo Afro Filhos da Terra com a professora Maria Célia Praesent. Participou também da Companhia Black White, Ballé Stillo Corpo e do Balé Folclórico da Bahia. Seu último trabalho solo intitulado Sentença é um experimento coreográfico que traz um portador do HIV/AIDS e levanta questões a respeito da relação entre a fragilidade de estar com um vírus que deteriora o corpo, através do enfraquecimento do seu sistema imunológico, e a convivência do portador deste vírus com a sociedade. Além de diversas apresentações em Valença, o trabalho também foi selecionado como parte da programação da 7 Jornada de Dança na Bahia e na 3° Conferência de Nacional de Juventude, em Brasília.

 

 

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.