Confira entrevista com o parapentista Nei Lobão sobre o potencial turístivo esportivo da Serra do Abiá, na zona rural de Valença

A Serra do Abiá, em Valença, tem se destacado como um ponto promissor para o parapente. Com uma altitude de 551 metros e um desnível de 350 metros, a rampa da Serra do Abiá oferece uma excelente condição para decolagens. A paisagem deslumbrante da Mata Atlântica, os ventos estáveis e a proximidade com destinos turísticos da Costa do Dendê tornam a Serra um destino promissor para aventureiros e esportistas. Além disso, o fácil acesso pela BR-101 e a infraestrutura disponível na região fortalecem ainda mais seu potencial turístico e esportivo.

Para entender melhor essa atividade e seu impacto na região, conversamos com Nei Pereira Lobão, 65 anos, parapentista experiente e entusiasta da modalidade desde 2009.

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Foto: Jornal Valença Agora

JVA: Nei, nos conte como você iniciou no parapente e como surgiu sua relação com a Serra do Abiá?

Nei Lobão: Entrei no mundo do parapente em 2009, quando amigos que já praticavam me trouxeram para conhecer a Serra do Abiá. Me apaixonei pelo lugar e desde então venho frequentemente, ajudando a comunidade local, buscando melhorias na rampa e mantendo contato com a Prefeitura para incentivar a prática desse esporte na região.

JVA: Por que você escolheu a Serra do Abiá?

Nei Lobão: Na verdade foi por um conjunto de fatores. Quando cheguei aqui, era um lugar isolado, sem internet, sem telefone. Mas o acolhimento das pessoas me conquistou. Seu Permínio, Dona Helena e seus filhos são como minha segunda família. Essa relação foi se fortalecendo ao longo dos anos e hoje, além de mim, já trouxemos pilotos de diversas partes do Brasil e até de outros países para conhecer o local.

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JVA: Qual é a importância de Valença fomentar essa prática esportiva?

Nei Lobão: O parapente é um dos esportes que mais cresce no Brasil. Existem fábricas nacionais produzindo equipamentos mais seguros, o que torna a modalidade mais acessível. Além disso, a presença de uma rampa ativa impulsiona o desenvolvimento da região, pois cria novas oportunidades econômicas, como serviços de resgate para pilotos, guias locais, hospedagem e restaurantes.

JVA: O parapente é visto como um esporte caro. Valença teria mercado para isso?

Nei Lobão: Com certeza. Em muitas regiões economicamente menos desenvolvidas, o parapente já é uma realidade. O custo varia conforme o investimento do praticante. Um equipamento novo pode chegar a R$ 30 mil, mas é possível encontrar equipamentos usados por cerca de R$ 10 mil. O mais importante é fomentar o esporte localmente, formando pilotos na região para consolidar a prática e atrair mais adeptos.

JVA: Que tipo de contribuição o parapente pode trazer para Valença?

Nei Lobão: O parapente é um esporte global. Através dele, já conheci praticantes da Alemanha, França, Inglaterra e China. Valença recebe turistas do mundo todo por conta de Morro de São Paulo, e divulgar a Serra do Abiá nesse contexto traria mais visitantes. Os pilotos precisam de hospedagem, transporte e serviços locais, o que fortalece a economia da cidade. Com apoio da Prefeitura e do Governo do Estado, quem sabe um dia poderemos sediar uma etapa do campeonato baiano ou até brasileiro?

JVA: Suas considerações finais?

Gostaria de agradecer ao secretário de Turismo de Valença, Vidalto Oiticica, ao Pequeno da Rádio Valença FM 101.9 e ao jornalista Pelegrini pelo apoio. Em gestões anteriores, tratávamos desse assunto com pessoas de cargos inferiores, mas agora vejo um interesse real em desenvolver o esporte. A presença do secretário de Turismo na rampa, acompanhado de jornalistas e radialistas, é um grande passo para que esse local receba a valorização que merece.

Guia 4 ventos

Foto: Reprodução/Guia 4 Ventos

 Sobre a Rampa da Serra do Abiá

  • Altitude: 551m
  • Desnível: 350m
  • Quadrantes: Leste (E), Nordeste (NE), Sudeste (SE)
  • Localização: Valença-BA, acesso pela BR-101, 3,8 km após o Posto de Combustível Água Mineral
  • Melhor época para voar: Dezembro a março
  • Recordes de voo: Martin - 32 km | Nei Lobão - 12 km
  • Prós: Beleza natural, ventos lisos, voo sobre a Mata Atlântica, fácil decolagem
  • Contras: Região montanhosa, mas com boas opções de pouso

 

 

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