Jornalista, apresentadora e ativista do movimento negro: saiba quem era Wanda Chase Jornal Valença Agora 4 de abril de 2025 Bahia, Notícias Comunicadora morreu na madrugada de quinta-feira (3), ao passar por uma cirurgia de aneurisma da aorta no Hospital Teresa de Lisieux, em Salvador A jornalista Wanda Chase morreu na madrugada desta quinta-feira (3), ao passar por uma cirurgia de aneurisma da aorta no Hospital Teresa de Lisieux, em Salvador. Com uma história marcante na Bahia, a amazonense deixa um legado no jornalismo no estado. Wanda Chase se mudou para a Bahia em 1991 e trabalhou por 27 anos na TV Bahia, onde se consolidou como comunicadora e ativista do movimento negro. Ela também trabalhou em veículos de comunicação como Rede Manchete, TV Cabo Branco e Rede Globo Nordeste. Também foi assessora de imprensa da banda Olodum. Por meio de nota, o grupo lamentou a morte da jornalista. "A família Olodum lamenta profundamente a passagem de Wanda Chase, jornalista, mulher negra, militante do movimento negro e conselheira do Olodum. Nossos sentimentos à familiares e amigos nesse momento de pesar. 🖤". Após a aposentadoria, Wanda Chase virou colunista do portal iBahia e participou de um projeto de podcast. Neste ano, ela trabalhou na cobertura do carnaval para um veículo de comunicação. Com 45 prêmios acumulados ao longo de mais de três décadas de atuação, a jornalista também é reconhecida por ter dado visibilidade à cultura baiana, especialmente às manifestações ligadas à cultura negra. Em 2002, recebeu o Título de Cidadã Soteropolitana concedido pela Câmara Municipal de Salvador. Em março deste ano, receberia ainda o Título de Cidadã Baiana, pela Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). No entanto, a cerimônia foi adiada por causa dos problemas de saúde da jornalista. A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) emitiu uma nota de pesar e destacou a importância de Wanda Chase para a cultura no estado. [Confira nota na íntegra ao final da matéria] "Além de sua atuação como repórter, editora, colunista e apresentadora, Wanda Chase foi uma referência para a cultura baiana e uma militante incansável do movimento negro, lutando por mais visibilidade e inclusão para as comunidades afro-indígenas. Sua voz potente e sua coragem em abordar temas como racismo e desigualdade social a tornaram uma referência para as novas gerações de jornalistas e ativistas", diz um trecho da nota. O presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Rodrigues, lamentou a morte de Wanda Chase. "Hoje, se despediu de nós, Wanda Chase, uma mulher negra, jornalista, militante do movimento negro, uma companheira incrível dessa jornada das nossas vidas, no Pelourinho, Olodum, blocos afros, na comunidade negra e comunicação. Ela vai deixar muitas saudades", disse João Jorge. O bloco afro Ilê Aiyê emitiu uma nota de pesar e destacou o trabalho de Wanda Chase na valorização da cultura e identidade negra do Brasil. [Confira nota na íntegra abaixo] "A Associação Cultural Bloco Carnavalesco Ilê Aiyê lamenta profundamente o falecimento de uma grande jornalista negra, amiga, parceira, uma mulher que não apenas brilhou no jornalismo baiano, como deixou sua marca na luta pela valorização da cultura e identidade negra no Brasil. Uma das pioneiras em sua área, ela inspirou, encorajou e abriu caminhos para que outras mulheres negras ocupassem espaços na mídia, resistindo e reafirmando nossa presença. Sua trajetória se entrelaça com a do Ilê Aiyê, o primeiro bloco afro do Brasil, onde ela fortaleceu sua identidade, passando a dividir com o bloco o compromisso com a negritude e a transformação social. Seu legado seguirá vivo, ecoando nas palavras que escreveu, nas histórias que contou e nas lutas que travou. Que sua passagem seja de luz, e que a força de sua voz continue nos inspirando. Nossos sentimentos aos familiares, amigos e a toda comunidade negra que hoje se despede de uma de suas grandes referências". Morte de Wanda Chase Segundo a família, Wanda anunciou que estava com problemas de saúde há cerca de um mês, após uma virose. Depois de procurar ajuda médica, a jornalista foi diagnosticada com uma infecção urinária e, em seguida, uma infecção intestinal. Wanda Chase deu entrada no hospital na quarta-feira, onde teve o diagnóstico de aneurisma dissecante da aorta, doença grave que ocorre quando a camada interna da aorta se rompe. Ela passou por uma cirurgia e não resistiu. A jornalista entrou em cirurgia por volta das 17h. A morte dela foi comunicada para os familiares quase 6 horas depois. O velório dela acontecerá no Cemitério Campo Santo, nesta sexta-feira (4), das 13h às 16h. Depois disso, apenas a família se reunirá para uma cerimônia de cremação. Veja a íntegra da nota divulgada pela família de Wanda: "A família Chase, lamenta com pesar, informar o falecimento da irmã, tia e tia avó Wanda Chase. Jornalista, uma mulher pioneira e inspiradora na luta pela igualdade racial e pela representatividade na mídia. Nascida no Amazonas, Wanda Chase construiu uma carreira exemplar no jornalismo, passando por importantes veículos de comunicação, como o Jornal A Crítica, Rede Manchete, Tv Cabo Branco, Rede Globo Nordeste e por último, a convite, por 27 anos na Tv Bahia. Além de sua destacada atuação como repórter, editora, colunista e apresentadora, Wanda Chase foi uma militante incansável do movimento negro, lutando por mais visibilidade e inclusão para as comunidades afrodescendentes. Mesmo após sua aposentadoria, Wanda, continuou ativa, escrevendo sua coluna “Opraí Wanda Chase” no Portal IBahia e trabalhando em projetos como um podcast “Bastidores com Wanda Chase” e um livro sobre a axé music. Sua partida deixa um vazio irreparável, mas seu legado de luta, perseverança e paixão pela vida e pela justiça social continuará a inspirar gerações futuras. Para nós, seus familiares, Wanda é referência de alegria, determinação, sensatez, honestidade e competência. Na vida a Wanda amou tudo que fez e nosso amor por ela é para sempre. 💫 Em breve daremos informações sobre o funeral". Nota de pesar da SecultBA "É com profundo pesar que a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) lamenta o falecimento da jornalista Wanda Chase, ocorrido na noite desta quarta-feira (2), em Salvador. Nascida no Amazonas e radicada na Bahia desde 1991, Wanda Chase construiu uma trajetória profissional exemplar, marcada pela paixão pelo jornalismo e pela luta em defesa da igualdade racial e da representatividade na mídia. Sua atuação em importantes veículos de comunicação a consolidou como uma das mais importantes jornalistas da Bahia. Além de sua atuação como repórter, editora, colunista e apresentadora, Wanda Chase foi uma referência para a cultura baiana e uma militante incansável do movimento negro, lutando por mais visibilidade e inclusão para as comunidades afro-indígenas. Sua voz potente e sua coragem em abordar temas como racismo e desigualdade social a tornaram uma referência para as novas gerações de jornalistas e ativistas. Mesmo após a aposentadoria, Wanda Chase continuou ativa, escrevendo uma coluna semanal para um site de notícias e trabalhando em projetos como podcasts e um livro sobre a axé music. Ainda este ano, Wanda Chase trabalhou na transmissão do Carnaval. Em março, ela seria homenageada com o título de Cidadã Baiana pela Assembleia Legislativa, um reconhecimento à sua contribuição para o estado. Infelizmente, não pôde receber a homenagem devido à sua hospitalização. Sua partida deixa um vazio irreparável no jornalismo, na cultura e no movimento negro, mas seu legado de luta, perseverança e paixão pela justiça social continuará a inspirar a todos nós. A SecultBA se solidariza com a família, amigos e admiradores de Wanda Chase neste momento de dor e expressa suas mais sinceras condolências". Fonte: g1 BA | Foto: Reprodução/Redes Sociais Deixe uma resposta Cancelar resposta Seu endereço de email não será publicado.ComentarNome* Email* Website