Escuta social debate impactos e oportunidades da Ponte Salvador–Itaparica para o Baixo Sul e Recôncavo Jornal Valença Agora 11 de maio de 2026 Baixo Sul, Notícias Evento realizado no IF Baiano de Valença reuniu especialistas, lideranças e sociedade civil para discutir impactos ambientais, planejamento urbano e desenvolvimento regional relacionados à construção da Ponte Salvador–Itaparica A construção da Ponte Salvador–Itaparica e seus impactos para os municípios do Baixo Sul e Recôncavo Baiano foram tema de uma escuta social realizada no último dia 5 de maio, no auditório do IF Baiano Campus Valença. O encontro reuniu professores, representantes de instituições, lideranças territoriais, autoridades e membros da sociedade civil para discutir os desafios, oportunidades e efeitos socioambientais do empreendimento. Encontro teve a presença de órgãos públicos, membros da sociedade civil organizada, instituições, associações, cooperativas, pesquisadores, produtores rurais e especialistas Promovida pelo Comitê Municipal do Movimento ODS Bahia, a escuta social teve como foco ampliar o debate público sobre os impactos da ponte e contribuir para a construção de uma carta-compromisso a ser encaminhada ao Governo do Estado. Marcelo Borges, presidente do Movimento ODS Bahia Na abertura do encontro, o presidente do Movimento ODS Bahia, Marcelo Borges, destacou a importância da participação social no processo de discussão do projeto e reforçou que o objetivo da escuta social foi democratizar o acesso às informações. Segundo ele, o documento final reunirá contribuições da sociedade civil para subsidiar futuras discussões sobre o empreendimento. Trocoli, diretor geral do IFBaiano campus Valença O diretor do campus Valença do IF Baiano, Rafael Trocoli, ressaltou o papel da instituição como espaço democrático de construção do conhecimento e diálogo com a sociedade. Segundo ele, o IF Baiano deve permanecer aberto para que todas as vozes sejam ouvidas, promovendo debates sociais, culturais, científicos e tecnológicos relacionados ao desenvolvimento da região. A primeira palestra da escuta social foi conduzida por Paulo Oliveira, especialista em desenvolvimento sustentável, inovação e governança pública. Durante a apresentação, ele trouxe uma análise técnica dos impactos ambientais previstos na implantação da Ponte Salvador–Itaparica, baseada em documentos oficiais do licenciamento ambiental. Palestrante Paulo Oliveira, especialista em desenvolvimento sustentável, inovação e governança pública Segundo o especialista, o empreendimento possui potencial para fortalecer a integração regional, impulsionar a economia, ampliar o turismo, fortalecer o agronegócio e a pesca, reduzir tempo e custos logísticos, além de gerar empregos e melhorar a infraestrutura regional. Por outro lado, Paulo Oliveira alertou para impactos negativos que exigem atenção e planejamento rigoroso, como alterações na qualidade da água, sedimentos e recifes, pressão sobre a fauna marinha, supressão de vegetação nativa, impactos sociais e territoriais em comunidades tradicionais e aumento de ruídos e vibrações durante as obras. O palestrante destacou ainda que a fase de implantação concentra a maior parte dos impactos negativos identificados no Estudo de Impacto Ambiental (EIA), exigindo controle rigoroso das atividades de construção e monitoramento constante dos ecossistemas afetados. Ao defender maior participação popular no processo, Paulo afirmou que o engajamento da sociedade e das instituições depende de “educação de base, cooperativismo de base e sensibilização de base”. Palestrante Heraldo Silva, Professor, pesquisador e Doutor especialista em Avaliação de Impactos Ambientais e Hidrologia Em sua explanação o professor doutor Heraldo Peixoto, pesquisador do Instituto de Geociências da UFBA e integrante da Academia de Engenharia da Bahia (AEB), do Instituto Politécnico da Bahia (IPB) e da Cátedra UNESCO de Sustentabilidade, apresentou uma análise voltada aos impactos socioeconômicos, ambientais e territoriais da Ponte Salvador–Itaparica. Durante a palestra, Heraldo destacou que a construção da ponte pode atuar como vetor de desenvolvimento econômico para o Baixo Sul e o Recôncavo, promovendo melhoria da mobilidade regional, incentivo ao turismo, geração de empregos e fortalecimento da economia. Por outro lado, o professor alertou para possíveis impactos negativos associados ao empreendimento, como pressão sobre a infraestrutura urbana, crescimento desordenado e aumento dos impactos ambientais, reforçando a necessidade de planejamento antecipado por parte dos municípios. Segundo ele, a atualização dos Planos Diretores de Desenvolvimento Urbano (PDDU) é fundamental para identificar as demandas locais e preparar as cidades para as transformações que deverão ocorrer com a implantação da ponte. Heraldo ressaltou ainda que as instituições educacionais possuem papel importante na mediação do diálogo entre comunidade, poder público e sociedade civil. Ao apresentar um prognóstico socioambiental, o pesquisador afirmou que, sem a ponte, a tendência é de manutenção do crescimento lento da região. Já com a implantação do empreendimento, a expectativa é de ampliação do desenvolvimento econômico e melhoria da mobilidade, embora os impactos ambientais relevantes exijam monitoramento e controle constantes. Heloísa Carvalho, Pesquisadora e especialista em desenvolvimento regional e sustentabilidade A professora e pesquisadora Heloísa Carvalho, especialista em desenvolvimento regional e sustentabilidade, conduziu a palestra voltada aos desafios e oportunidades da Ponte Salvador–Itaparica para o planejamento urbano e territorial do Baixo Sul e do Recôncavo Baiano. Durante a apresentação, Heloísa destacou que a ponte deve ser compreendida como uma infraestrutura estratégica, capaz de alterar profundamente a dinâmica territorial da região, atraindo investimentos, ampliando a mobilidade, fortalecendo o turismo e acelerando processos de expansão urbana e valorização fundiária. Segundo a pesquisadora, os municípios precisam se preparar desde agora para absorver as transformações provocadas pelo empreendimento. “Planejar hoje para governar as transformações de amanhã”, afirmou. Heloísa reforçou que o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) não deve ser tratado apenas como um documento burocrático, mas como principal instrumento de organização territorial. Para ela, municípios que não atualizarem seus planos diretores antes da consolidação dos impactos acabarão atuando de forma reativa, e não estratégica. A especialista também alertou que os impactos da ponte extrapolam limites municipais, exigindo articulação regional entre os territórios do Baixo Sul e Recôncavo, especialmente nas áreas de mobilidade, expansão urbana, turismo, infraestrutura e proteção ambiental. Entre as medidas consideradas prioritárias, ela defendeu a realização de diagnósticos territoriais, revisão dos planos diretores, atualização da legislação urbanística e fortalecimento institucional das gestões municipais. Durante o debate aberto ao público, a professora do IF Baiano, Nelma, questionou de que forma a escuta social poderá influenciar efetivamente o processo de construção da ponte. Em resposta, os organizadores destacaram que o principal objetivo do encontro é ampliar o conhecimento público sobre os impactos do empreendimento e garantir que as discussões da sociedade civil sejam registradas em uma carta pública a ser encaminhada ao Governo do Estado. Escuta foi realizada no auditório do IFBaiano, em Valença A coordenadora do CODETER, Rosélia Batista, levantou reflexões sobre os rumos do desenvolvimento regional e questionou: “Desenvolvimento para quê e para quem?”. Ela também sentiu falta da presença de representantes do Governo do Estado, do Inema, do Ibama, do Ministério Público e de técnicos envolvidos na elaboração dos estudos e planos relacionados ao empreendimento. “Todo debate em relação a ponte, obra essa que vai impactar todo Baixo Sul, toda a sociedade tem que fazer presente, principalmente sociedade organizada. A Secretaria de Turismo se fez presente porque também vai atrair uma série de outros investimentos e vai impactar positivamente também na nossa cidade de Valença”, contribuiu o secretário de Turismo, Vidalto Oiticica. Ao final da escuta social, os participantes reforçaram a necessidade de ampliar o diálogo entre instituições públicas, sociedade civil e comunidades afetadas, defendendo planejamento territorial antecipado e participação popular nas decisões relacionadas ao futuro da região. Estiveram representados no encontro os municípios de Gandu, Jaguaripe, Nazaré, Presidente Tancredo Neves, Taperoá e Valença. Por Redação | Fotos: Patrícia Guedes/Jornal Valença Agora Deixe uma resposta Cancelar respostaSeu endereço de email não será publicado.ComentarNome* Email* Website Salvar meus dados neste navegador para a próxima vez que eu comentar.