Um peixe invasor foi capturado por moradores no destino turístico de Taipu de Fora, na cidade de Maraú, no baixo sul da Bahia. De acordo com a Secretaria do Meio Ambiente do município, o Peixe-leão é altamente venenoso e pode causar desequilíbrio no ecossistema marinho.

O peixe-leão foi encontrado em um estuário, ambiente de transição entre rio e mar que, inclusive, serve como berçário para muitas espécies de animais. O local também representa uma barreira importante para redução de impactos das mudanças climáticas e efeitos das marés sobre a cidade.

Segundo a bióloga da Secretaria do Meio Ambiente de Maraú, Stella Furlan, o peixe foi resgatado e será objeto de pesquisa.

“Eles colocam 30 mil ovos, que reproduzem em 26 dias, se alimentam de peixes até 70% do tamanho deles e comem 30 peixes a cada 20 minutos em média. Ele não tem predador, então pesquisadores, nativos, pescadores e todos que vivem do mar precisam se unir para conseguir controlar”, disse a bióloga.

“O que a gente pede é cuidado se encontrá-los. Eles têm espinhos com venenos que podem causar dores ou até convulsões. Precisamos capturar o animal sem tocar com a mão, registrar, tomar cuidados com os espinhos e avisar ao Inema o quanto antes e a Secretaria do Meio Ambiente”, explicou Stella Furlan, que também é idealizadora do projeto Mergulho Consciente.

Com espinhos venenosos e aparência chamativa, o peixe-leão já foi registrado na Baía de Todos-os-Santos e apresenta vários riscos. São eles:

  • População cresce rapidamente. Se reproduz muitas vezes ao ano e consegue gerar milhares de ovos e larvas durante os processos reprodutivos.
  • Na fase adulta ele pode alcançar até 47 cm com 18 espinhos venenosos.
  • Potenciais predadores não o reconhecem como presa, por não ser uma espécie nativa.
  • Se alimenta desenfreadamente, o que pode causar colapso em algumas cadeias alimentares.
  • Espécie invasora também pode ser perigosa para seres humanos que a toquem acidentalmente. Dependendo da quantidade de peçonha na pele do indivíduo, pode causar alterações de pressão arterial, parada cardíaca e infecção.

Na Baía de Todos-os-Santos, foram notificados, até junho deste ano, cinco indivíduos de peixe-leão em idade adulta e reprodutiva, segundo a Sema. Eles foram avistados na região de Morro de São Paulo, Baixo Sul do estado, e em Salvador.

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Até então, não existe um programa de monitoramento específico para detectar a espécie. Os registros feitos são considerados pontuais e eventuais.

💡 A Baía de Todos-os-Santos é a maior do Brasil e segunda maior do mundo, com 1.180 km de praias e uma área de 1.233 quilômetros quadrados, que equivale a quase o dobro do tamanho de Salvador. Ela é composta por 56 ilhas e engloba 16 municípios, incluindo a capital baiana.

A Secretaria do Meio Ambiente informou que a bioinvasão da espécie é muito recente na Bahia, e que iniciou a elaboração dos “Protocolos de Alerta, Detecção Precoce e Resposta Rápida”. Além disso, oficinas serão realizadas no segundo semestre de 2025 para a elaboração de um documento de forma conjunta e participativa.

O que fazer se encontrar um animal exótico invasor

Para evitar o avanço das espécies nas regiões, equipes da Secretaria de Meio Ambiente começaram a organizar, em 2023, um plano de resposta à bioinvasão. As orientações são:

  • Não mate e não faça a retirada.
  • Entre em contato pelo e-mail peld.bts@gmail.com.

Para a pessoa ficar apta a realizar a remoção da espécie, deve-se protocolar um pedido ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com a indicação da espécie a ser removida e da tecnologia que será utilizada.

“O Ibama vai fazer uma avaliação dos riscos ambientais da estratégia, porque pode ser que a boa intenção de remover aquela espécie possa causar um impacto ambiental ainda maior, se não for feita da maneira correta”, explicou o diretor de políticas e planejamento ambiental da Sema, Tiago Porto.

Fonte: g1 | Foto: Reprodução/TV Bahia

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