Nem só de celebração viveu a nona edição da Caminhada da Consciência Negra. Ato buscou sensibilizar a sociedade a refletir sobre o preconceito racial e as desigualdades entre as raças.

Ao som de batuques e músicas afro-brasileiras, a IX Caminhada da Consciência Negra percorreu as ruas de Valença neste domingo, 20 de novembro, mostrando a diversidade e riqueza da cultura negra. O evento reuniu grupos de dança puxados pelo Grupo Afro filhos da Terra, da professora de dança, idealizadora e organizadora da caminhada, Maria Célia Praesent. A edição deste ano contou com a presença de grupos de outros municípios como Ubatã e Ibirapitanga. Membros de terreiros, grupos de capoeira e de Bumba-meu-boi reforçaram a cultura presente no evento, que deram show com apresentações na Praça da República, onde foi encerrada a caminhada que saiu do Jambeiro passando pelos bairros da Baixa Alegre e Areal.

img_7790

img_7799A Caminhada que busca conscientizar sobre a igualdade racial, levou à comunidade valenciana importantes reflexões, entre elas, sobre a violência contra a mulher negra no país. Em 10 anos (2003-2013) a taxa de homicídios de mulheres negras cresceu 19,5%, enquanto a taxa de homicídios contra mulheres brancas caiu 11,9%. Cartazes com frases como “A ignorância faz o racismo” e “O preconceito faz o pecado”, confeccionadas pelo professor Leonival, foram exibidos durante todo o trajeto.

img_7784

Célia Praesent . Foto: Jornal Valença Agora

Em entrevista ao Valença Agora, Célia Praesent relatou as dificuldades para a realização da caminhada, mas que, apesar deste ano não contar com o apoio do poder público municipal, segundo Célia, conseguiu ser ainda melhor que anos anteriores. “Esse ano eu tive somente o apoio da comunidade e dos amigos, cada um contribuindo com um pouco. Pra mim é um prazer muito grande estar organizando esse movimento negro e ver muitos jovens participando, nós fazemos esse trabalho com esses jovens e nesse dia de resistência é importante que a comunidade veja que o jovem ‘não é só com a arma na mão, usando drogas’, eles tem talento, sabem tocar, dançar, cantar, basta só a comunidade abraçar mais”, considerou.

Artistas, intelectuais e ativistas participaram da caminhada que em 2017 completará 10 anos. Para garantir um evento ainda mais forte, Célia Praesent nomeou padrinhos e madrinhas para colaborar com o evento, entre eles Chico Nascimento, Mestre Regi, Flordolina Andrade, Zai Pereira, David Terra, Edna Xavier, Janete Vomeri, Beto Mel, Thiago Mascarenhas, Jhessy Coutinho, Oderaldo e Vidalto Oiticica.

O professor e ativista cultural Chico Nascimento afirmou que a sociedade precisa falar da consciência negra todos os dias: “nas nossas casas, nas nossas comunidades e nas nossas escolas […] Esse é o compromisso da negritude fortalecendo essa resistência que não começou de agora”.

 

img_7751

Chico Nascimento

img_7767

Thiago Mascarenhas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para o professor de dança Thiago Mascarenhas da Cia. de Dança Movements, o Dia da Consciência Negra “deve ser todos os dias”. “Hoje a gente vem pra rua pra reforçar essa força que o negro tem pra Bahia, pro Brasil e para o mundo todo”, afirma.

Beto Mel do grupo HM Dance acredita que o evento é importante para “valorizar a raça negra e suas origens”, ampliando o resgate cultural e mostrando para a sociedade o valor da beleza negra.

Para o professor de capoeira Nelson, a sociedade está cada vez mais conscientizada e reivindicando os seus direitos. “Graça a esses movimentos populares, a sociedade está mais atuante e aprendendo a reivindicar mais os seus direitos”, opina.

img_7771

Edna Xavier

Maria das Neves “Nevinha”, coordenadora de quadrilha em Valença disse o que achou da caminhada: “Célia está de parabéns por esse trabalho belíssimo. Temos que mostrar que nossa cidade tem uma consciência e uma razão negra porque Valença é uma cidade negra, de quilombolas maravilhosos. A caminhada deveria ser mais incentivada pra que crescesse a cada ano”.

A diretora municipal de Cultura de Valença, Edna Xavier ressaltou que o racismo ainda encontra força na sociedade. “O racismo ainda existe nos quatro cantos da Bahia, do Brasil e do mundo. Negro não é respeitado, as pessoas ainda não estão conscientes de que temos o nosso valor como qualquer outro ser humano”, destacou, acrescentando que a caminhada poderia ser muito melhor se todas as pessoas se envolvessem.

img_7746

Flordolinda Andrade

Flordolina Andrade, diretora da NRE 06 participa todos os anos da caminhada, e explica o motivo: “Eu entendo esse momento aqui como fundamental para

alertar a população e trazer o debate sobre o preconceito que está presente no nosso dia a dia, em todos os segmentos. Importante fazer com que esse dia seja um dia onde as pessoas possam refletir que a gente precisa superar essa desigualdade e isso começa principalmente pela superação do racismo que ainda existe do Brasil. Quero parabenizar as pessoas que organizam todo ano e a Célia que é a grande liderança desse movimento”.

 

Fotos: Jornal Valença Agora

Se gostou, compartilhe...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.