moacir-saraiva

Não me interpretem mal, pelo amor de Deus. Mas há situações que não passam despercebidas por mais que estejamos focados em algo. Por exemplo, em uma solenidade mais pomposa que seja, se chegar um sujeito muito famoso, nenhum presente vai se ater à solenidade.

Era Natal, em que se cria um clima todo especial para se comemorar o nascimento de Jesus Cristo. Em todas as casas, nas igrejas, nas lojas, nas ruas, enfim, não se fala em outro assunto a não ser sobre sentimentos de amor, perdão, confraternização, pois estes e outros  sentimentos similares são emanados do filho de Deus. Abre-se exceção para o comércio por se prender tão somente a palavra “presente” a fim de vender.

A família reunida, família acrescida de parentes que moravam em outras paragens e tudo se encaminhava para mais um evento em que a figura de Jesus fosse o centro das atenções. A casa, bem ornamentada, com sinais fortes da festa natalina.

O dia 24 pela manhã, todos acordaram, tomaram um lauto café, já embalados por músicas natalinas e os preparativos derradeiros estavam sendo quase encerrados para a festa da noite. A comida, as bebidas, as brincadeiras próprias deste período, a árvore de natal bem arrumada, os presentes já postos.

Eis que chega um familiar, vindo de longe e trazendo um cão, um cachorro vira lata, muito fofo, alíás, além de fofo, muito elegante e bonito. Todo branco com manchas pretas, Parece uma contradição, dizer que um vira lata tem tudo isso, mas este era dotado de uma elegância de um cão de pura raça.

Ao chegar, todos ficaram assustados, pelo tamanho e pela versatilidade do animal, no entanto, como o bicho só brincava, pulando e correndo, o sentimento foi se transformando e ficaram encantados com o modo de agir de Gita.

Com o passar das horas, ela desarrumou algumas decorações natalinas, nem isso conseguiu fazer com que as pessoas mudassem o carinho que por ela criaram.  Alguns largaram seu conforto ou afazeres a fim de brincarem com a cachorra.

É bom lembrar  que em todos os ambientes, ou melhor, em quase todos, pois este foi exceção, há sempre alguém que trata cachorros com desprezo ou movido por sentimentos mais pesados contra os animais, e até externam isso com ações de violência. Mas aqui não, houve um consenso e todos adotaram a cachorra com alegria, com carinho e, o melhor, todos queriam brincar com a danadinha.

Chegada a noite, as pessoas saíram de seus cômodos com vestimentas para o momento natalino. Eis que por último, sai Gita vestida de papai Noel. Nenhum dos presentes não teve como não olhar para a cadela, se já era bonita, estava mais ainda, se era elegante, agora, parecia estar de sapato alto e com o corpo altivo, como se desfilasse em uma passarela.

A noite toda foi voltada para o animal, que logo começou a brincar, a correr a pular com um dos admiradores e depois com outro, enfim, foi o natal da cachorra.

*Publicado na  edição impressa nº 594, do jornal Valença Agora.

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