Evento reúne pescadores, agricultores, artesãos, empreendedores e instituições, fortalecendo a cadeia produtiva durante a Semana Santa 

A 6ª edição da Feira Santa do Pescado teve início nesta quarta-feira (26), em Valença, reunindo pescadores, produtores locais, empreendedores e a comunidade em uma grande mobilização econômica e cultural durante o período da Semana Santa. A programação do evento inclui exposição e comercialização de produtos ao longo dos dois dias, além de apresentações culturais, sorteios de brindes e atividades voltadas à integração entre produtores e a comunidade.

Secretária de Pesca e Aquicultura de Valença, Cristiane Oiticica

Na abertura da Feira, a secretária municipal de Pesca e Aquicultura, Cristiane Oiticica, anfitriã do evento, destacou o objetivo da iniciativa. “Nosso objetivo é dar visibilidade à pesca e à aquicultura da nossa cidade. Aqui tem de tudo um pouco, e convidamos toda a população para prestigiar”, afirmou.

Diretor Chico do Gelo e a secretária Cristiane Oiticica

O diretor da pasta, conhecido como Chico do Gelo, também reforçou o papel do poder público no fortalecimento do setor. “Essa é a nossa função como ente público. Reunimos aqui o pessoal da pesca, da economia solidária e os artesãos, promovendo esse espaço de comercialização e valorização do trabalho local”, destacou.

A abertura do evento contou com a presença de secretários municipais, entre eles Vidalto Oiticica (Turismo), Pretta Passos (Comunicação), Madger William (Esporte e Juventude), Raell Costa (Mobilidade e Ordem Pública), Paulo Martins (Desenvolvimento Econômico) e Flordolina Andrade (Políticas para Mulheres e Reparação Social). Outras autoridades também passaram pelo espaço ao longo do dia.

Desde as primeiras horas do dia, o público encontrou uma variedade de produtos, como pescados, mariscos, itens da agricultura familiar, artesanato e produtos da economia solidária. Entre os expositores, a agricultora Domingas Santos Nunes Conceição, da comunidade quilombola Vila Velha do Jequiriçá, destacou a importância da feira para a geração de renda. Ela comercializa produtos como dendê de pilão, coco, limão e polpas de frutas. Presidente da associação de moradores da comunidade, Domingas afirma que a agricultura é sua principal fonte de sustento. “É da agricultura que tiro o meu sustento. Valença tem um grande potencial nessa área, e é isso que garante o alimento e a renda da minha casa”, ressaltou.

A tradição da pesca também esteve presente no relato da marisqueira Ana Paula Chaves Barreto, moradora de Valença, que trabalha na atividade desde a adolescência, ofício herdado da família e que hoje já é transmitido à filha. Durante a feira, ela comercializa produtos como catado de siri (R$ 70/kg), camarão sem cabeça (R$ 45/kg), mariscada (R$ 50/kg) e cavala em posta (R$ 50/kg). A opção mais acessível é a chumberga, vendida a R$ 30/kg. Segundo ela, a atividade é o principal sustento da família.

A diversidade da feira também inclui o cultivo de plantas. A comerciante Marlene Pereira dos Santos, com produção na região de Cajaíba, destacou que a procura por plantas cresceu durante a pandemia da Covid-19, quando muitas pessoas passaram a buscá-las como forma de terapia e bem-estar. “Hoje, além de ser um hobby, também é de onde tiro minha renda”, afirmou.

No setor de alimentação, a comerciante Jeane Rocha participa da feira com a venda de pastel doce, biscoito acebolado, cuscuz e café. Em entrevista ao JVA, ela reforçou a importância da autonomia financeira. “Aprendi que a mulher precisa ter suas próprias finanças. Trabalho com amor no que faço”, destacou. Para ela, o evento é uma oportunidade de ampliar as vendas e dar visibilidade ao seu trabalho.

A feira também contou com a participação de empreendedores da região, como Acácia Martins, de Igrapiúna, que levou produtos da marca Flor do Cacau. No estande, são comercializados chocolates, granolas e geleias, ampliando as opções disponíveis ao público e valorizando os derivados do cacau.

O artesanato marcou presença com expositoras como Claudia Lúcia Cardoso Nascimento e Iolanda dos Santos, que apresentaram panos de prato pintados à mão, além de roupas e acessórios em crochê. Para elas, a feira é uma vitrine importante para incentivar a valorização da produção local.

Além da comercialização, o evento também abriu espaço para a educação e a ciência. O Instituto Federal Baiano (IF Baiano), campus Valença, apresentou pesquisas sobre a qualidade da água no Guaibim, catalogação de algas e doenças que afetam o craveiro. Os estudantes Joceilene de Jesus da Silva e Rogério Sodré dos Santos Júnior destacaram a importância de aproximar o conhecimento científico da comunidade.

A Universidade do Estado da Bahia (UNEB), campus Valença, também participou com a divulgação do curso de Engenharia de Aquicultura. O estudante Rogaciano Santos de Jesus ressaltou que a formação é estratégica para a região, considerando o potencial hídrico do município. “É um curso que atende às necessidades da sociedade e permite que as pessoas possam estudar e também viver dessa atividade”, explicou.

O empreendedorismo na área também foi representado pelos empresários Ylan Leocádio Vieira e Lucas Santos Paraíso, da Betta Premium Aquarismo. Técnicos em aquicultura pelo IFBA e estudantes da UNEB, eles atuam há cerca de três anos no setor, iniciando com vendas online e expandindo para loja física. Durante a feira, apresentaram seus produtos e destacaram o potencial do município para o desenvolvimento do segmento.

A Feira Santa do Pescado segue até esta quinta-feira (27), reunindo tradição, geração de renda e valorização da produção local.

Confira programação complea aqui: Feira Santa do Pescado acontece dias 26 e 27 de março em Valença; confira programação

Por Redação | Fotos: Jornal Valença Agora

 

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