Projeto “Maré da Ciência” mobiliza alunos, educadores e comunidade em Valença para discutir escassez hídrica, sustentabilidade e o futuro dos recursos naturais

Mesmo sob chuva, a comunidade valenciana compareceu ao Cais da Orla, no dia 25 de abril, para prestigiar a MOSTRATEC – Mostra Tecnológica do Colégio CETEN, que transformou o espaço público em um grande ambiente de aprendizado, reflexão e conscientização sobre a preservação da água e os desafios da escassez hídrica.

Com o projeto “Maré da Ciência”, desenvolvido dentro do tema pedagógico de 2026, “Cuidado”, e com o subtema “A lição da água”, estudantes mergulharam em uma jornada de pesquisa, vivências práticas e produção científica voltada à compreensão dos recursos hídricos, sustentabilidade e preservação ambiental.

Antes da culminância, os alunos participaram de visitas de campo à Cachoeira de Pancada Grande, em Ituberá, e à comunidade quilombola de Jatimane, em Nilo Peçanha, além de desenvolverem pesquisas, produções textuais e estudos interdisciplinares coordenados pelas áreas de Ciências da Natureza e Matemática. Entre os temas apresentados na feira estiveram a história do Rio Una, o tratamento de esgoto e soluções sustentáveis para o uso da água.

Diretora Geral Glória Souza (Foto: JVA)

A fundadora e diretora do CETEN, Glória Souza, destacou a importância da educação como ferramenta central de transformação social. “É um momento importante para a sociedade de Valença e para o colégio também, porque tudo começa pela educação. A conscientização também começa pela educação. É uma forma de levar nossos alunos a refletirem e fazer com que esse aprendizado chegue às suas casas e à sociedade em geral”, afirmou.

Ela também ressaltou o impacto positivo da participação popular. “O que me encantou foi que, mesmo com o tempo chuvoso, a sociedade abraçou a proposta, compareceu, inclusive escolas públicas estiveram presentes, e nossos alunos deram um verdadeiro show, tanto na teoria quanto na prática”, disse.

Segundo Glória, o projeto também proporcionou aos estudantes uma compreensão mais profunda sobre a relação entre cultura e preservação ambiental. “Quando eles conheceram Pancada Grande e Jatimane, entenderam que a água também tem uma questão cultural por trás. Eles perceberam que comunidades indígenas e quilombolas possuem uma consciência de preservação muito forte, o que gerou reflexões importantes sobre nossa própria sociedade”, pontuou.

Rael Costa, secretário municipal Foto: JVA)

O secretário municipal de Mobilidade Urbana e Ordem Pública, Rael Costa, elogiou a iniciativa por aproximar educação e comunidade. “É fundamental trazer a educação para a rua. Isso fortalece nossas crianças e adolescentes, amplia a comunicação e reforça essa relação entre meio ambiente, cultura, turismo e desenvolvimento para Valença”, declarou.

Para o professor Gilberto Muniz, a proposta foi essencial para preparar novas gerações. “A avaliação é extremamente positiva, porque precisamos que a próxima geração compreenda que preservar é urgente. A água potável está diminuindo, e discutir isso com profundidade é necessário”, afirmou.

Diretor Executivo Bruno Augusto (Foto: JVA)

O diretor executivo Bruno Augusto reforçou que um dos objetivos centrais da escola é compartilhar conhecimento com a sociedade. “A intenção da escola é aproximar corpo docente, discente e comunidade, trazendo para a população o melhor que produzimos, que é conhecimento”, destacou.

Giovani, pai do estudante Nicholas (Foto: JVA)

Pais também reconheceram a relevância da experiência. Giovanni, pai do estudante Nicholas, avaliou o evento de forma entusiasmada. “Se fosse dar uma nota de zero a dez, seria dez com certeza. Muitas ideias podem ser aplicadas no dia a dia. Foi educativo, estruturado e muito válido”, comentou.

Visitante professora Rosângela Góes (Foto: JVA)

A professora Rosangela Góes destacou que a pauta ambiental precisa ser tratada com profundidade nas escolas, sobretudo por envolver diretamente questões de saúde, sobrevivência e qualidade de vida, alertando para a urgência de ampliar o debate sobre a escassez hídrica.

“A questão ambiental é prioridade hoje em todas as escolas, porque ela tem a ver com saúde, com vida, com qualidade de vida e com alimentação. Muitas vezes esse tema é abordado de forma muito subjetiva, simbólica, como se fosse apenas um evento ou culminância, sem realmente fazer o estudante compreender a dimensão do desperdício e, principalmente, da escassez que está acontecendo no mundo inteiro. O silêncio sobre isso hoje é assustador. A escola precisa assumir esses temas que são vitais para as novas gerações. O que nossa geração teve em abundância pode faltar para os filhos e netos deles. Nossa região depende diretamente das questões ligadas ao mar, rios, encostas e agricultura, e mesmo sendo rica em recursos hídricos, permanece vulnerável porque ainda se debate pouco sobre preservação, tratamento de resíduos e cuidado com os rios. Precisamos preparar essa geração para entender essa realidade antes que sejamos surpreendidos por consequências ainda mais graves”, afirmou.

Diretor Pedagógico Edilton Arandiba (Foto: JVA)

O diretor pedagógico Edilton Arandiba de Sousa ressaltou que o trabalho desenvolvido pelos estudantes teve como principal objetivo sensibilizar a população sobre a gravidade da crise hídrica e reforçar o papel da nova geração na construção de soluções conscientes.

“Nossos estudantes se prepararam durante todo esse período exatamente para possibilitar essa sensibilização às pessoas que estão passando por aqui, parando para ouvir uma mensagem que é sobre a água e sobre as constantes crises da escassez hídrica. Esse sempre foi o nosso objetivo, e eles conseguiram atingir isso com muita precisão. O retorno tem sido imediato, com muitas pessoas elogiando e reconhecendo que a iniciativa foi positiva. Isso mostra que a nova geração realmente precisa se envolver, interagir e fazer intervenções dentro dessa temática, porque estamos falando de uma questão necessária e urgente para toda a sociedade”, afirmou.

O evento foi realizado durante toda a manhã com apresentação dos trabalhos realizados pelos alunos, distribuição de panfletos e mobilizações sobre a necessidade de preservação dos recursos naturais, especialmente a água.

 

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