moacir-saraiva

É deveras interessante a forma como o povo é tratado pelo estado, em pleno século XXI – governo federal, estadual e municipal – ainda é cuidado como animal sem direitos, muitas vezes fica amontoado em lugares quentes, sem conforto nenhum, ou até em filas no sol escaldante, nos passeios das cidades. O bom é que, muitas vezes, o povo responde a este tratamento com a mesma moeda e a réplica dos agentes públicos é acionar a polícia.

É triste ver nos passeios da vida, muita gente em fila, esperando uma resposta dos poderes constituídos, às vezes, idosos sendo ajudados para se manterem de pé por uma bengala, bebês escanchados no quadril das mães, outros com o rosto que é só fome, alguns maltrapilhos, há, ainda, aqueles que, já ao amanhecer, estão movidos a álcool, enfim, em filas como estas, em que seres humanos buscam direitos de uma forma humilhante, se vê o retrato da sociedade enjeitada pelo poder público ou pelo capital, ou pelos dois.

Outro dia estava em um destes ambientes, no qual eram vacinadas as pessoas de riscos, os idosos e crianças, era a campanha de vacinação da H1N1. O governo federal deu o pontapé inicial para tratar o povo como animal, uma vez que as vacinas vieram a conta gotas, chegavam em um dia, no outro não tinha, quando chegavam era em número insuficiente para as pessoas que esperavam. Como se vê, o povo é apenas um detalhe.

Neste dia havia vacinas, um sol quente danado, e desde cedo, muita gente esperando, um número maior de idosos  e idosas e muitas mães com os filhos na idade para se vacinarem. Um calor muito forte no ambiente, poucos cidadãos sentados, bem poucos, os idosos a maioria em pé, em virtude de terem crianças bem pequenas no colo das mães ou pais e o idoso não tinha coragem para pedir  a cadeira. Esta falta de um lugar para sentar criou um clima de insatisfação, principalmente entre os idosos.

Cada um que ia chegando pegava uma senha a fim de esperar sua vez, processo democrático e justo. As crianças inquietas, umas chorando, outras sorrindo,  as mães se lamentando pelo desconforto, água para beber nestes ambientes é um ingrediente quase impossível e lá não havia. As crianças por esperarem muito tempo, ficavam irrequietas e abriam o berreiro, umas chorando baixinho, outros com voz estridente, as mães balançavam as crias a fim de se calarem, mas todo gesto era impossível para acalmar os bebês. Um verdadeiro bolero de lamentos e o lamento dobrava quando o menino entrava no recinto e recebia a vacina, saia dali com um choro penoso e alto, ademais, o bruguelo vinha esperneando que as mães tinham dificuldade em segurá-lo.

Saí dali com dor de cabeça devido ao bolero dos lamentos, que mostra a forma como o povo é desrespeitado.

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