Durante workshop em Maragogipe, jornalistas visitaram o canteiro de obras e acompanharam de perto o avanço dos serviços, as tecnologias empregadas na construção e as etapas de execução do maior projeto de infraestrutura da Bahia

Foto: Divulgação

A imprensa do Baixo Sul baiano esteve entre os convidados para acompanhar, nesta quarta-feira (5), o Workshop 2026 – Desenvolvimento das Obras da Ponte Salvador-Itaparica. Promovido pela Secretaria Extraordinária do Sistema Viário Oeste Ponte Salvador-Itaparica (SVPonte) e pela Concessionária Ponte Salvador-Itaparica, o evento reuniu jornalistas em São Roque do Paraguaçu, distrito de Maragogipe, para uma apresentação técnica e uma visita guiada ao canteiro de obras do maior projeto de infraestrutura da Bahia.

Ao longo da programação, os participantes acompanharam de perto a montagem de estruturas metálicas, conheceram equipamentos de grande porte, áreas de usinagem, peças que serão utilizadas na construção da ponte e detalhes das tecnologias empregadas em uma das obras de engenharia mais complexas do país. A visita permitiu aos profissionais de imprensa observar a estrutura industrial montada para a execução do empreendimento e conversar com técnicos, engenheiros e representantes do Governo da Bahia sobre o estágio atual das obras.

Além da visita técnica, representantes da SVPonte e da concessionária apresentaram informações atualizadas sobre o cronograma, os investimentos, a geração de empregos, o andamento das obras e os impactos econômicos e sociais previstos para o estado.

Com 12,4 quilômetros de extensão sobre a Baía de Todos-os-Santos, a Ponte Salvador-Itaparica será a maior da América Latina sobre lâmina d’água. Integrante do Sistema Viário Oeste, o empreendimento ligará Salvador ao município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, reduzindo distâncias e fortalecendo a integração entre a capital e o interior da Bahia.

Durante o workshop, o gerente de Relações Institucionais e porta-voz da Concessionária Ponte Salvador-Itaparica, Carlos Prates, ressaltou que o empreendimento vai além da construção da ponte propriamente dita.

“Nós estamos sempre acostumados a falar em ponte, mas é importante deixar claro que a ponte é a peça principal, porém faz parte de um projeto muito maior. Estamos construindo um novo sistema rodoviário em Salvador e outro na Ilha de Itaparica. No total, serão 46 quilômetros de intervenções. A ponte é apenas uma parte desse conjunto.”

Segundo Prates, o projeto foi concebido como uma solução de mobilidade regional e não apenas como uma ligação entre Salvador e a Ilha de Itaparica.

“Esse projeto não foi pensado apenas para ligar Salvador à Ilha de Itaparica. Ele foi concebido como um projeto de desenvolvimento regional e de integração, capaz de gerar novas oportunidades para diversos municípios baianos.”

A mesma avaliação foi reforçada pelo secretário da SVPonte, Mateus da Cunha Dias. Segundo ele, o empreendimento foi concebido para reduzir o tempo de deslocamento e os custos de transporte entre a Região Metropolitana de Salvador e grande parte do interior baiano, criando novas oportunidades de desenvolvimento econômico.

“Todos esses municípios terão algum tipo de redução no tempo de viagem e, consequentemente, no custo do transporte entre o interior e a Região Metropolitana de Salvador. Há regiões que serão ainda mais beneficiadas, como o Recôncavo e o Baixo Sul, onde esperamos um crescimento expressivo do turismo e novas oportunidades para a atividade logística.”

O Sistema Viário Oeste será composto por cinco trechos, incluindo os acessos viários em Salvador, a ponte sobre a Baía de Todos-os-Santos, a ligação até a nova variante da Ilha de Itaparica, a construção do desvio de Mar Grande e a recuperação e duplicação da BA-001 até a Ponte do Funil.

De acordo com informações apresentadas durante o workshop, o empreendimento deverá beneficiar aproximadamente 250 municípios e impactar diretamente cerca de 10 milhões de baianos, promovendo redução no tempo de deslocamento e nos custos de transporte entre a Região Metropolitana de Salvador e o interior do estado.

Segundo o secretário, a expectativa é de que o Sistema Viário Oeste gere cerca de R$ 40 bilhões em retorno econômico e social para a Bahia ao longo do período de operação, consolidando o empreendimento como um dos principais vetores de desenvolvimento regional do estado.

Durante entrevista concedida aos jornalistas, Mateus da Cunha Dias destacou que os benefícios do empreendimento já começam a ser percebidos durante sua execução.

Segundo ele, um dos princípios adotados pelo Governo da Bahia é priorizar a contratação de empresas e fornecedores locais.

“Esse é um princípio que a gente tem nessas grandes contratações públicas, sobretudo quando vem investimento de fora, que a gente tenha o máximo possível de repercussão local, não só para a população, mas também para as empresas e fornecedores locais.”

Atualmente, das 112 empresas contratadas pelo consórcio, 71 são baianas, fortalecendo a economia estadual e ampliando a geração de empregos formais.

O secretário informou que mais de 300 trabalhadores estão empregados diretamente pelas empresas responsáveis pela execução da obra e outros 300 profissionais atuam por meio de empresas subcontratadas.

Apesar disso, ele ressaltou que a mobilização ainda representa apenas uma pequena parcela do efetivo previsto.

“Hoje estamos com cerca de 10% da mobilização que teremos ao longo da obra.”

A expectativa é que, no pico da construção, o empreendimento gere aproximadamente 7 mil empregos entre postos diretos e indiretos.

Investimento de R$ 12 bilhões

O investimento atualizado na Ponte Salvador-Itaparica está estimado em R$ 12 bilhões. Segundo Mateus da Cunha Dias, cerca de R$ 3 bilhões serão aportados pelo Governo da Bahia, outros R$ 3 bilhões deverão ser destinados pelo Governo Federal, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), enquanto pouco mais de R$ 6 bilhões ficarão sob responsabilidade da concessionária, com recursos próprios e financiamentos obtidos junto ao Banco do Nordeste, ao BNDES e a instituições financeiras chinesas.

Segundo o secretário, essa estrutura financeira garante a continuidade do empreendimento durante todas as etapas previstas até sua conclusão.

Durante a coletiva, o secretário explicou que a pandemia da Covid-19 provocou um forte impacto financeiro sobre o contrato da obra. Segundo ele, a alta expressiva dos custos dos insumos inviabilizou o cronograma originalmente previsto.

“O aço chegou a subir cerca de 120% e o concreto aproximadamente 80%, enquanto o índice de reajuste do contrato permanecia próximo de 5%. Foi necessário promover um reequilíbrio econômico-financeiro.”

Após negociações entre o Governo da Bahia e a concessionária, foi firmado um termo aditivo que restabeleceu o equilíbrio econômico-financeiro do contrato. O acordo foi mediado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), permitindo a retomada do cronograma de execução.

Tecnologia e transferência de conhecimento

Ao percorrer o canteiro de obras, os jornalistas conheceram equipamentos já em operação, estruturas metálicas produzidas na China e áreas destinadas à montagem das vigas metálicas utilizadas na construção.

Mateus ressaltou que o projeto também representa uma oportunidade de qualificação profissional.

“Durante a sondagem trouxemos tecnologia chinesa. Nossos colaboradores trabalharam junto com essas equipes, aprenderam os processos e terão essa expertise para futuras obras.”

Cronograma segue dentro do previsto

Mateus informou que o chamado caminho crítico da obra, correspondente ao vão central sobre a Baía de Todos-os-Santos, já começou a ser executado.

Essa etapa deverá durar aproximadamente 48 meses e é considerada a mais complexa do empreendimento.

“Estamos dentro do cronograma e temos convicção de que vamos entregar essa obra.”

Segundo o secretário, a conclusão do empreendimento permanece prevista para junho de 2031.

Licenciamento ambiental

Durante a apresentação, também foi informado que o empreendimento já possui a Licença Prévia, concedida após análise do Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA). Atualmente, o processo para obtenção da Licença de Instalação encontra-se em análise pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), autorização necessária para o avanço das obras. Após a conclusão do empreendimento, será emitida a Licença de Operação, que permitirá o funcionamento do sistema viário.

Sobre o cumprimento das exigências ambientais, o gerente-geral de Construção da CCCC Second Harbor, uma das empresas que integram a Concessionária Ponte Salvador-Itaparica, Francisco Miguel, afirmou que os programas previstos nas licenças já concedidas estão sendo executados conforme o planejamento estabelecido com o Governo da Bahia.

“Existem vários programas ambientais, todos relacionados às licenças já emitidas. Esses programas estão sendo tratados e desenvolvidos. Hoje posso assegurar, com 100% de garantia, que tudo aquilo que foi solicitado nas licenças autorizadas está dentro do planejado e do cronograma esperado e acordado com o Estado da Bahia.”

Valença e o Baixo Sul entre as regiões mais beneficiadas

Entre os participantes do workshop esteve o secretário de Turismo de Valença, Vidalto Oiticica, que destacou os impactos esperados para o Baixo Sul baiano e defendeu o envolvimento dos municípios no planejamento das oportunidades que deverão surgir com a implantação do Sistema Viário Oeste.

Segundo ele, o empreendimento representa muito mais do que a construção da ponte.

“O projeto Ponte Salvador-Itaparica é muito mais do que uma simples ponte. É um projeto que vai causar um impacto positivo em todo o território do Sul e do Baixo Sul da Bahia.”

O secretário afirmou que a nova ligação viária deverá criar uma importante alternativa de acesso ao interior do estado, favorecendo a circulação de pessoas, o escoamento da produção e o fortalecimento da atividade turística.

“Essa nova vertente de deslocamento vai promover um processo de desenvolvimento, principalmente no turismo do Baixo Sul, e Valença também será impactada positivamente.”

Para Vidalto Oiticica, os municípios precisam se preparar desde já para aproveitar os benefícios que serão proporcionados pelo empreendimento.

“Toda a população, a sociedade organizada e os diversos setores precisam estar cada vez mais próximos desse projeto, entendendo e participando para verificar de que forma podemos usufruir desse processo de desenvolvimento para Valença e contribuir também com as demais cidades do Baixo Sul.”

Infraestrutura complementar

Além da travessia sobre a Baía de Todos-os-Santos, o Sistema Viário Oeste contempla a implantação de novos acessos viários em Salvador, a construção da ligação entre Vera Cruz e a nova variante rodoviária da Ilha de Itaparica, a implantação do desvio de Mar Grande e a recuperação e duplicação da BA-001 até a Ponte do Funil.

Na capital baiana, também serão construídos túneis e viadutos para conectar a ponte à Via Expressa, à Avenida Jequitaia e à Avenida Engenheiro Oscar Pontes.

Questionado sobre a duplicação da Ponte do Funil, Mateus explicou que essa intervenção será executada futuramente em parceria entre os governos estadual e federal, sob coordenação da Secretaria de Infraestrutura da Bahia (Seinfra) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

Ao final da visita, o secretário destacou a importância da presença da imprensa para aproximar a população do empreendimento.

“Vocês têm a oportunidade de filmar, de ver o material que já se encontra em campo, os equipamentos de grande porte, as equipes trabalhando, as peças sendo montadas. Isso é uma prestação de contas natural que deve ser feita à sociedade.”

A visita ao canteiro de obras permitiu aos jornalistas conhecerem de perto a dimensão do empreendimento e o estágio atual da execução dos serviços. Mais do que a construção da maior ponte sobre lâmina d’água da América Latina, o Sistema Viário Oeste foi apresentado como um projeto de integração regional que pretende reduzir distâncias, fortalecer a logística, impulsionar o turismo e ampliar as oportunidades de desenvolvimento para centenas de municípios baianos.

📸 Fotos: Jornal Valença Agora

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