CEEP da Costa do Dendê realiza Feira de Conhecimento com foco na valorização da cultura regional Jornal Valença Agora 6 de novembro de 2026 Baixo Sul, Notícias Com o tema “Saberes e Fazeres: O trabalho que nasce do dendê”, evento reuniu projetos de pesquisa, experiências sustentáveis, produções gastronômicas e manifestações culturais, aproximando a educação profissional dos saberes e das potencialidades regionais A valorização da identidade cultural do Baixo Sul, aliada à pesquisa, à inovação e à formação profissional, marcou a Feira de Conhecimento do Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) da Costa do Dendê, realizada no dia 29 de outubro, em Valença. Com o tema “Saberes e Fazeres: O trabalho que nasce do dendê”, a iniciativa integrou a programação do 2º Workshop Semana do Mundo do Trabalho e reuniu estudantes, professores e visitantes em torno de projetos que demonstraram diferentes possibilidades de aproveitamento de uma das matérias-primas mais representativas da região. A proposta da feira foi ampliar o conhecimento dos estudantes sobre a cultura do dendê, explorando sua importância histórica, econômica, social e cultural, além de apresentar novas possibilidades de utilização do produto em diferentes áreas profissionais. A programação envolveu turmas dos cursos técnicos, que desenvolveram pesquisas, experiências e produções relacionando o dendê aos conhecimentos adquiridos em sala de aula e nas atividades práticas. Segundo a diretora do CEEP da Costa do Dendê, Jamile Nascimento Santos, a feira é realizada anualmente e, a cada edição, a escola escolhe uma cultura regional para orientar os projetos. Em 2025, o tema foi a jaca e, neste ano, o dendê ganhou destaque. A iniciativa busca aproximar os estudantes de elementos presentes no cotidiano da região, mas sobre os quais muitas vezes ainda não possuem conhecimento aprofundado. A diretora explicou que o projeto foi desenvolvido em etapas, começando pela Semana do Mundo do Trabalho, quando a proposta foi apresentada e relacionada aos diferentes cursos oferecidos pela instituição. A intenção foi demonstrar como uma mesma matéria-prima pode gerar oportunidades de aprendizagem e produção em áreas como administração, logística, saúde, análises clínicas, nutrição e gastronomia. “É uma forma de valorizar essa cultura local e fazer com que os estudantes compreendam a importância do dendê e as inúmeras coisas que podemos produzir a partir dessa matéria-prima”, destacou Jamile. Atualmente, entre a sede e o anexo, o CEEP atende aproximadamente 1.600 estudantes, oriundos de diferentes municípios do Baixo Sul, entre eles Valença, Ituberá, Taperoá, Cairu e Igrapiúna. A escola também possui uma unidade anexa no distrito de Serra Grande, onde a culminância do projeto será realizada em novembro, seguindo a mesma temática. Pesquisa, sustentabilidade e inovação Um dos destaques da feira foi a diversidade de produtos desenvolvidos pelos estudantes, demonstrando o potencial do dendê para além de sua utilização tradicional na culinária baiana. As experiências envolveram reaproveitamento de resíduos, desenvolvimento de produtos sustentáveis e aplicação de conhecimentos técnicos em diferentes áreas. Na área de pesquisa e inovação, estudantes do curso de Análises Clínicas desenvolveram velas aromatizantes e repelentes utilizando citronela, cera vegetal da flor do dendê e óleo extraído do coco do dendê, conhecido como óleo de palmiste. Orientado pelo professor Albert Lucas, o projeto buscou aproveitar conhecimentos e materiais associados à cultura regional para desenvolver um produto com proposta sustentável. O trabalho foi desenvolvido no âmbito das atividades de estágio supervisionado e Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), envolvendo pesquisa, experimentação e busca por alternativas de produção. De acordo com o professor, o projeto foi selecionado para representar a escola em um evento regional em Ilhéus. Caso avance na próxima etapa, poderá chegar à fase estadual, em Salvador. Fotos: Patrícia Guedes/Paulo Henrique/Divulgação A estudante Edicassia Leite, do segundo ano de Análises Clínicas, explicou que a proposta também surgiu da observação de práticas tradicionais de comunidades rurais, onde partes do dendê são utilizadas para afastar mosquitos. A partir desse conhecimento, os estudantes buscaram desenvolver uma alternativa que reunisse as funções aromatizante e repelente, ampliando o debate sobre as possibilidades de aproveitamento da planta. Outra experiência apresentada foi a produção de adubo orgânico a partir dos resíduos do dendê. A estudante Clara Sousa, do curso de Recursos Humanos, explicou que o objetivo foi demonstrar como materiais que poderiam ser descartados podem ganhar uma nova finalidade, contribuindo para o aproveitamento de resíduos e para práticas mais sustentáveis no campo. Os estudantes também desenvolveram um esfoliante corporal com óleo de dendê e óleo de coco, acrescentando açúcar e vitamina E à composição. A proposta foi apresentada por Vanessa Oliveira dos Santos, da turma de Finanças, que destacou a descoberta de novas possibilidades de utilização de um ingrediente tradicionalmente associado à alimentação. Gastronomia explora novas possibilidades do azeite de dendê A gastronomia também teve espaço de destaque na feira, com preparações que exploraram a versatilidade do azeite de dendê em receitas tradicionais e inovadoras. Os estudantes Fernando Freitas e Iasmim Santos apresentaram o chamado cookie baiano, uma receita doce que incorporou o azeite de dendê como ingrediente. O desenvolvimento exigiu pesquisas e adaptações na composição, especialmente na quantidade de gordura utilizada, considerando as características do azeite e sua influência na textura e no sabor da preparação. Iasmim explicou que experiências anteriores com receitas doces à base de dendê serviram de aprendizado para o desenvolvimento do novo produto. A turma precisou realizar ajustes nas proporções dos ingredientes, substituindo parte da manteiga por azeite de dendê, até alcançar o resultado esperado. Já os estudantes Guilherme Ribeiro Marques e Thiago Silva de Andrade apresentaram dois tipos de patê, de frango e de camarão. A equipe também demonstrou preocupação com a organização e a segurança alimentar durante a exposição, mantendo a preparação de camarão separada da de frango, considerando a possibilidade de visitantes com alergia a frutos do mar. A professora Luciana Cedraz, que atua na área de Matemática e acompanha as atividades do curso de Gastronomia, destacou a importância das aulas práticas e do contato dos estudantes com os processos de produção. Para ela, o dendê representa uma riqueza cultural e econômica para a Bahia, sendo reconhecido como o “ouro vermelho” da região. A educadora também chamou atenção para a necessidade de valorização dos trabalhadores envolvidos na colheita, considerando os riscos e as dificuldades presentes nessa atividade. Saberes tradicionais e valorização da identidade regional Além das experiências práticas, a feira também proporcionou aos estudantes o contato com conhecimentos tradicionais relacionados à produção artesanal do azeite de dendê. Uma das atividades foi a visita à comunidade quilombola do Lamego, onde os alunos puderam acompanhar diferentes etapas do processo, desde a colheita até a separação do bagaço e do óleo. A experiência foi registrada em um documentário produzido pela turma de Nutrição. A estudante Evelyn Santos explicou que o trabalho buscou apresentar a realidade da produção manual, permitindo aos participantes conhecerem práticas que muitas vezes permanecem distantes do cotidiano dos estudantes. O estudante Enzo Gabriel Bonfim, do primeiro ano de Nutrição, também destacou a importância de conhecer o trabalho desenvolvido pelas comunidades produtoras, especialmente o esforço envolvido na extração artesanal do dendê e na fabricação de produtos derivados. A valorização dos saberes tradicionais também esteve presente na apresentação orientada pela professora de Língua Portuguesa Adriana Trócoli. A turma do terceiro ano de Análises Clínicas, do turno vespertino, desenvolveu um projeto inspirado na literatura de cordel, produzindo livretos com poemas sobre a temática do dendê. Durante a feira, dois estudantes caracterizados como Maria Bonita e Lampião apresentaram os cordéis ao público. Para o professor Padre Marcos Queiroz, que também esteve presente representando o anexo do CEEP em Serra Grande, a iniciativa contribui para fortalecer a territorialidade e aproximar o processo de ensino da realidade regional. Ele ressaltou a importância de valorizar a agricultura, a cultura e as atividades que fazem parte da história e do desenvolvimento do Baixo Sul. Segundo o professor, os estudantes do anexo também estão envolvidos na proposta e se preparam para apresentar pesquisas e produtos durante a culminância prevista para novembro. Para os estudantes, a feira representou uma oportunidade de ampliar conhecimentos sobre uma cultura que dá nome ao território onde vivem e que possui grande relevância para a economia local. Davi Salomão Silveira, do curso de Finanças, destacou que a experiência permitiu conhecer melhor a cadeia produtiva do dendê e as possibilidades de transformar a matéria-prima em produtos com potencial de comercialização. Segundo ele, a atividade também possibilitou o trabalho coletivo e a aproximação entre os colegas. A relação entre conhecimento, produção e mercado de trabalho esteve presente em diferentes projetos, demonstrando como os cursos técnicos podem contribuir para identificar oportunidades e desenvolver soluções a partir dos recursos disponíveis no próprio território. Deixe uma resposta Cancelar respostaSeu endereço de email não será publicado.ComentarNome* Email* Website Salvar meus dados neste navegador para a próxima vez que eu comentar.