moacir-saraiva

Vender frutas é uma arte complicada, pois além das perdas naturais ainda há muitos clientes que as experimentam sem o consentimento do comerciante causando prejuízo.  Para os dois casos não há solução, o primeiro fator é inevitável, pois as frutas perecem com rapidez.

Para combater a sana dos clientes,alguns comerciantes se utilizam de artifícios, mas ainda assim é uma empreitada de difícil solução porque as urdiduras advindas das mentes férteis para surrupiar frutas são muito inventivas.

Algumas frutas não são consumidas para o famoso “ver se estar boa”, são simplesmente amassadas para o cliente ver se estar mole, e assim, possa adquiri-la. Este processo, para os comerciantes, causa prejuízo ao produto a ser vendido. Pinha e abacate são duas frutas que comumente o adquirente amassa para saber se está no ponto. Se estes frutos estiverem maduros, certamente, o “amasso” causará danos e a depender poderá até ficar inapropriada para a venda. Outro dia, vi um comerciante de frutas, que ao chegar alguém perto do tabuleiro das pinhas, ele ficava de olho e quando o cliente se preparava para amassar a fruta, pois há todo um ritual, ele falava impropérios para o cliente, sem medo de perder a freguesia, coisa do tipo:

– Não amasse esta p…….

O cliente arregalava os olhos, e saía do estabelecimento, mas a fruta não sofria danos.

É um método utilizado nada ortodoxo, mas de uma eficiência danada, pois a fama do comerciante corria léguas e quem ia comprar lá, já sabia que não poderia causar danos às frutas, e é freqüentado pela qualidade de seus produtos e bons preços, mas amassar nunca.

Quanto menor a fruta, mais o estoque sofre defecção, pois além dos adultos, as crianças fazem a festa. Seja adultos e crianças ao se depararem com um tabuleiro de uva, geralmente, leva uma ou mais à boca. Ao final do dia, quantas uvas ao invés de serem vendidas serviram como “provas” para ver se estavam boas?

Menino cujos pais nem passam perto das frutas, mas o capeta vai lá comer uva. Já vi muitos e muitos, eles chegam sorrateiramente, olham para um lado, olham para o outro e como num passe de mágica, tira a uva do cacho, arremessa na boca e nem mastiga, às vezes, engole inteira. O miserável come a fruta suja. Menino se importa com nada?

Vi um comerciante zeloso com seu estoque de uva, além da vigilância contínua ele colocou uma placa inusitada e que chamava atenção de todos que freqüentavam o estabelecimento do moço. E a colocou no sentido de evitar prejuízos com as crianças e adultos “ladrões de uvas”. Uma placa vistosa, bem chamativa e não tinha como não vê-la.  A placa dizia o seguinte: UMA UVA: DEZ CENTAVOS.

*Publicado na edição impressa nº 603, do jornal Valença Agora

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