O bailarino Caique Sena Santos Borges, 23 anos, é a 21ª vítima de meningite na Bahia em 2017.

Ex-bailarino do Bolshoi, Caique Sena Santos Borges morreu de meningite rara em Salvador, nesta segunda-feira (7). Até o último dia 15, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) registrou 210 casos e 20 óbitos. No ano passado, até esse período, foram 280 casos e 38 mortes.

Caique, de acordo com a Sesab, contraiu um tipo de meningite não bacteriana, de difícil diagnóstico. A secretaria diz que ele foi atendido duas vezes no último final de semana, no hospital Couto Maia. Na primeira, voltou pra casa, “não apresentou os sintomas (de meningite). Na segunda vez, “houve a suspeita, o paciente foi internado, e foi realizado o exame, mas infelizmente o paciente foi a óbito”, diz a nota da pasta.

Segundo familiares relataram ao CORREIO, o jovem vinha se queixando de dores de cabeça. De acordo com a mãe,  Ana Cristina Sena Santos, 48, as dores tinham piorado nos últimos cinco dias. Ela contou que levou o filho duas vezes para a UPA de Itinga, mas nada foi resolvido. A suspeita da doença só foi descoberta quando ela decidiu levar Caique em um consultório de um amigo da família.

Por conselho do médico, Ana procurou o hospital Roberto Santos com Caique, na quinta (3), mas a vítima não foi atendida por falta de vaga. Na sexta-feira (4), ela disse que já chegou ao Hospital Couto Maia pedindo o exame de liquor, que dá o diagnóstico da doença. “Eu falei e implorei, mas eles só deram dipirona e uma requisição para outro infectologista. Às 22h, eu saí de lá com meu filho chorando de dor”, lamentou.

Com a piora do quadro, Caique retornou para o hospital no domingo (6)  e foi para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas acabou morrendo na segunda-feira (7). “Todos os sonhos do meu sobrinho foram ceifados por uma negligência. Nós consultamos outros médicos de outros hospitais e eles falaram que deveriam ter sido feitos outros exames e dada a medicação correta para ele”, critica a tia Mara Borges.

Ao CORREIO, a diretora do Hospital Couto Maia, Ceuci Nunes, afirmou que ficou sabendo do caso pela imprensa. “A família não procurou a diretoria do hospital. Eles têm todo o direito de questionar, mas só pegaram a cópia do prontuário aqui”, falou.

Abalada, a mãe contou que o filho poderia ter sobrevivido se tivesse sido atendido na sexta-feira. “Meu filho só me deu orgulho e poderia estar aqui se tivesse feito exame”, falou. Ela disse que a família procurou um advogado para lidar com o caso. “Quero que isso não aconteça com outras famílias e com outras mães, porque dói muito”, completou.

Meningite Fúngica
A meningite é uma inflamação das meninges, que são as membranas que envolvem o cérebro. Existem três tipos da doença, sendo que a viral e a bacteriana são contagiosas. Já o tipo fúngico, que atingiu Caique, não é transmissível.

“A fúngica é muito mais rara e está associada ao imunodeficiência”, diz Ceuci. De acordo com ela, a doença é desenvolvida a partir de um contato de um fungo que existe na natureza. “A pessoa que tem contato com o fungo pode ou não desenvolver a doença”, completa a médica.

Casos de meningite na Bahia
A Sesab informou que na Bahia, em 2017, até o dia 15 de julho, foram confirmados 210 casos de meningites, com uma redução de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior – em 2016, foram 280 casos e 38 mortes.

Este ano, as meningites causadas por vírus apresentaram o maior número de casos (93), seguida das meningites não especificadas e bacterianas, com 56 e 28 casos, respectivamente.

Em relação aos óbitos, observa-se uma redução de 47,4% se comparado com o mesmo período de 2016. As meningites não especificadas e bacterianas registraram a maioria dos óbitos.

 

Informações do Portal Correio 24 Horas

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