Depois de passar pelas cidade do Rio de Janeiro e de São Paulo, a IV Mostra Nova Melanina Acentuada volta à Salvador com programação repleta de espetáculos teatrais, leituras dramáticas, seminário, bate-papo e oficina, que visam dar palco à dramaturgia de escritores negros por meio de todas as plataformas de arte, sejam elas palco, exposições ou rodas de leitura. O festival acontece até 14 de agosto e ocupa o Espaço Cultural da Barroquinha, com ingressos até R$ 20.

A Mostra Melanina Acentuada tem como proposta investigar a estética, a identidade, os temas e as produções do teatro negro contemporâneo, tendo como guia a escrita cênica e dramatúrgica assinada por artistas afro-brasileiros, com interesse de legitimar a assinatura artística, do que a performance do artista negro.

Isto Não É Uma Mulata: Dia 22 de julho, sexta-feira, às 19h

Vencedor do Prêmio Braskem de Teatro 2015, na categoria Revelação, o solo teatral Isto Não É Uma Mulata é uma obra que provoca reflexões sobre a representação da mulher negra, além de apontar as fragilidades do mito da democracia racial brasileira, com ironia e humor. Com criação e atuação de Monica Santana. Isto Não É Uma Mulata é um espetáculo que reside num entrelugar da performance e do teatro, empregando recursos de ironia, visitando clichês na representação da mulher negra, por vezes, reduzida ao trabalho doméstico, à sensualidade da passista carnavalesca, ao corpo exuberante. Também entram em cena, referências da cultura pop, da música, criando novas estratégias para um exercício de teatro político, onde o movimento, a dança e o paradoxo são recursos explorados, sem empregar didatismo.

Sete Ventos: 23 e 24 de julho, sábado e domingo, às 19h

Monólogo baseado em depoimentos de mulheres negras e no mito de Iansã. Contamos a história de Bárbara, escritora negra, que, junto ao público conta e revive as histórias das mulheres que a influenciaram. São sete mulheres, sete qualidades de Iansã. Através dos relatos de Bárbara mostramos a história do negro brasileiro que tenta reconstruir sua história e sua identidade cercado pelas contradições do seu cotidiano. O ápice da história é o encontro da personagem com Iansã. Há também música e dança.

Campo de Batalha,  sexta e sábado, 29 e 30 de julho, às 19h

Em uma suposta Terceira Guerra Mundial, dois soldados de corporações inimigas são surpreendidos pelo anúncio da suspensão temporária da guerra. Enquanto aguardam o retorno do embate, os dois inimigos discutem as razões humanas, sociais e econômicas que levaram seus países a se confrontarem.

Se Deus Fosse Preto, domingo, 31 de julho, 19h

Como seria se o deus cristão, ocidental, cultuado pela maior parte das religiões, desaparecesse? No lugar dele, um deus negro, com outros valores, outra doutrina e outro templo. O espetáculo “E se Deus Fosse Preto – O Legado de LOID” percorre inúmeras reflexões sobre a vida, a fé, a humanidade e culmina nessa situação hipotética. Com texto e atuação de Sergio Laurentino, que estreia o seu primeiro monólogo, a peça marca também a estreia do ator Jean Pedro como diretor.

Vaga Carne, sexta a domingo,  4 a 6 de agosto, às 19h

Solo de Grace Passô, que também assina o texto do trabalho. Na peça, uma voz errante, capaz de invadir qualquer matéria sólida, líquida ou gasosa, resolve, pela primeira vez, invadir um corpo de mulher e, a partir dessa experiência, traça uma jornada de auto reconhecimento narrando o que sente, o que finge sentir, o que é insondável em si, o que sua imagem é para o outro que vê, o que significa seu corpo enquanto construção social. O trabalho integra o projeto GRÃOS DA IMAGEM, que reúne peças em torno de temas identitários e cujo objetivo é agregar ininterruptamente trabalhos que partam dessa premissa, configurando como uma obra que é flexível ao reunir trabalhos diferentes a cada apresentação. VAGA CARNE é a primeira peça que inaugura o projeto.

Namíbia, Não!, sexta a domingo, 12 a 14 de agosto, às 19h

Em 2016, o Governo brasileiro decretou uma Medida Provisória obrigando que todos os de ‘melanina acentuada’ sejam capturados e enviados imediatamente à África, provocando, em pleno século XXI, o revés da diáspora vivida pelo povo africano do Brasil escravocrata. A medida é uma ação de reparação social aos danos causados pela União. Mas, para não incorrer no crime de “Invasão a Domicílo”, eles só podem ser capturados na rua. Assim, André e Antônio passam o dia trancados no apartamento, debatendo as questões sociais e econômicas da vida atual, seus anseios pessoais e as consequências de um iminente retorno à África-mãe.

Circo de um homem só, domingo, dia 14 de agosto, às 17h

Espetáculo circense e de rua, composto de reprises autorais, executado por um palhaço (Tiziu) que decide realizar sozinho um espetáculo de circo por completo. Ele mesmo arma o circo e faz o apresentador, o mágico, o malabarista, a bandinha e etc. É a peculiaridade na execução dos números e o carisma do palhaço, na relação com a plateia, que dá o tom cômico e cativante do espetáculo. Assim, os números, são meros pretextos para esse alegre encontro do público com o palhaço, um dos personagens mais característicos do maravilhoso mundo do circo.

 

Espaço Cultural da Barroquinha
http://www.culturafgm.salvador.ba.gov.br/

Praça Castro Alves, s/n
Centro – Centro
Salvador – BA
(71) 3116-6675
  • diariamente de 19/07 (Ter) a 14/08 (Dom)
    • das 15:00 às 19:00

Fonte: Catracalivre

Foto de capa: Andrea Magnoni

Se gostou, compartilhe...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.