Uma nova geração, o mesmo compromisso: Dr. Ronald Neto assume a direção da Uniclin Pró-Saúde Jornal Valença Agora 17 de agosto de 2026 Você Agora Quarenta e dois anos depois de a clínica abrir as portas em Valença, a gestão passa de pai para filho. Nesta entrevista, o médico radiologista Dr. Ronald Neto fala sobre a transição, o legado do Dr. Ronald Filho, as prioridades dos próximos anos e a saúde do Baixo Sul da Bahia. Quem é Dr. Ronald Neto Nascido em Valença, saiu da cidade aos 16 anos para cursar Medicina na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Formou-se aos 23 e mudou-se para São Paulo, onde passou quatro anos na especialização em Radiologia e Diagnóstico por Imagem no Hospital Beneficência Portuguesa. Em 2013, aos 27 anos, voltou para a Bahia e passou a atuar em hospitais e clínicas de imagem em Salvador. Nos anos seguintes, intensificou as idas a Valença e a participação médica na Uniclin Pró-Saúde, assumindo também responsabilidades na gestão da clínica. Nesse percurso, somou à formação médica o MBA em Gestão Executiva em Saúde pela FGV e o curso de Gestão de Clínicas e Consultórios pela Faculdade Sírio-Libanês. Hoje, aos 41 anos, dedica o início da semana a Valença, onde coordena o serviço de imagem da Uniclin, e o restante a Salvador, onde atua em hospitais e clínicas da cidade. É casado com Sara, médica cardiologista que também atende na Pró-Saúde, e pai de Luiza e Laura, de 8 e 4 anos. Entrevista JVA: A Uniclin chega a um momento importante de sua história com a transição da direção geral. O que representa, para o senhor, assumir a gestão da clínica fundada por seus pais há mais de quatro décadas? Dr. Ronald Neto: Representa, antes de tudo, responsabilidade. A Uniclin não é um projeto que eu encontrei pronto e resolvi tocar: é uma casa que eu vi ser construída, atendimento por atendimento, desde criança. Cresci ouvindo falar de pacientes à mesa do almoço, entendendo que aquilo ali era o trabalho dos meus pais e, ao mesmo tempo, um serviço importante para a cidade. A transição vem acontecendo de forma gradual há alguns anos e se torna mais plena em 2026. Meu pai segue como conselheiro e continua exercendo a medicina, que é o que ele sempre fez com mais prazer. Ou seja, não é uma ruptura, é um revezamento de funções: ele deixa a condução administrativa do dia a dia, mas a experiência dele continua disponível para as decisões importantes. O que sinto, sinceramente, é uma mistura de honra e de peso saudável. Honra porque é raro poder dar continuidade a algo com esse significado para a família e para a região. Peso porque quem assume uma instituição de 42 anos não recebe apenas um patrimônio — recebe a confiança de gerações de pacientes que escolheram essa clínica. Isso não se herda, se renova todo dia. JVA: Seu pai, Dr. Ronald Filho, deixa a direção administrativa, mas continua exercendo a medicina. Que legado do Dr. Ronald o senhor considera essencial preservar nesta nova fase da clínica? Dr. Ronald Neto: Meu pai é o que eu chamaria de um médico “multi”, no melhor sentido que essa palavra pode ter no interior. Atua como cirurgião, ginecologista e obstetra, ultrassonografista. Foi perito médico-legal e chefe do Departamento de Polícia Técnica, além de secretário de saúde da cidade, com reconhecimento público pelo trabalho que fez. Em cada uma dessas funções, o traço era o mesmo: disponibilidade. Essa é a palavra que melhor traduz o legado dele. Meu pai nunca tratou o horário como limite para o cuidado. Se um paciente precisava, ele estava lá — no consultório, no hospital, no telefone, na porta de casa. Preservar esse legado, para mim, significa manter o vínculo como centro de tudo. Podemos ter o melhor equipamento, o sistema mais moderno, o fluxo mais eficiente — nada disso substitui um paciente que sai da consulta sentindo que foi ouvido e que alguém assumiu o problema dele junto com ele. Modernizar a gestão só faz sentido se for para proteger exatamente isso. JVA: Muitos profissionais buscam oportunidades nos grandes centros após a especialização. No seu caso, houve a decisão de retornar a Valença. O que essa escolha representa para o senhor, tanto no aspecto pessoal quanto na missão de fortalecer a saúde em nossa cidade e região? Dr. Ronald Neto: Na prática, eu não escolhi entre uma coisa e outra: eu escolhi as duas. Divido a semana. De segunda a quarta estou em Valença, na Pró-Saúde; no restante da semana estou em Salvador, onde respondo pela Neurorradiologia na Delfin e na Clínica AMO. Ao longo do tempo precisei reduzir a atuação em outros hospitais da capital justamente porque Valença foi ocupando mais espaço na minha agenda — e essa foi uma escolha consciente. Manter esse pé nos dois lugares tem uma razão técnica, não é só afetiva. É em Salvador que eu convivo com um grande volume de trabalho, casos complexos, reuniões científicas e com o que há de mais novo em imagem. Trago esse repertório para cá. Quem ganha é o paciente de Valença, que passa a ter acesso, na própria cidade, a um padrão de diagnóstico que antes exigia viajar. Isso representa o que está escrito na nossa missão institucional: democratizar o acesso à medicina especializada de qualidade. Se todos os médicos formados ficarem apenas nas capitais, essa frase nunca sai do papel. JVA: Assumir a direção de uma instituição que é referência regional também traz novos desafios. Quais serão as prioridades da sua gestão e que projetos de ampliação de serviços, novas tecnologias, especialidades ou investimentos estão previstos para os próximos anos? Dr. Ronald Neto: Sim, há projetos em andamento, e prefiro organizá-los em três frentes que conversam entre si, cada uma com um horizonte de tempo diferente. A primeira é estrutura, no curto prazo. Concluímos a reforma da fachada e o próximo passo, ainda este ano, é reformar a parte antiga do térreo, para que fique no mesmo padrão das áreas mais novas da clínica. Junto com isso, a decoração e o acabamento das demais áreas já prontas. Ambiente não é detalhe: um espaço bem cuidado comunica respeito por quem espera ali. É o que o paciente vai perceber primeiro. A segunda é ampliação da oferta, no médio prazo. Queremos aumentar a variedade de serviços, exames e procedimentos disponíveis em Valença, incluindo novas especialidades e procedimentos diagnósticos e terapêuticos que hoje ainda exigem deslocamento. Nesse mesmo eixo, o projeto mais impactante é o Day Hospital: uma estrutura para procedimentos e pequenas cirurgias com alta no mesmo dia, sem internação prolongada. É um modelo que se encaixa bem em especialidades que já temos na casa, como ginecologia, urologia, coloproctologia e ortopedia, além de procedimentos endoscópicos. Para o paciente do Baixo Sul, significa resolver na região algo que hoje muitas vezes só se resolve na capital. A terceira é gestão e pessoas. Estou trazendo para a clínica práticas de administração que estudei e apliquei fora — indicadores, processos, planejamento estratégico. Mas o objetivo final não é o organograma: é ter um ambiente de trabalho melhor, em que o colaborador enxergue possibilidade de desenvolvimento e o corpo clínico tenha condições de exercer boa medicina. Equipe estável e satisfeita se traduz em atendimento melhor. Não existe atalho para isso. Estamos também estudando formas de tornar esses serviços financeiramente mais acessíveis a quem não tem plano de saúde. Acesso não é só ter o equipamento disponível — é o paciente conseguir chegar até ele. JVA: A clínica atende pacientes de diversos municípios do Baixo Sul. Quais fatores fizeram da Uniclin uma referência regional ao longo desses anos? Dr. Ronald Neto: Acho que foram três fatores somados, e nenhum deles funcionaria sozinho. O primeiro é tempo. Quarenta e dois anos de porta aberta constroem algo que nenhuma campanha constrói: confiança. Hoje atendemos filhos e netos de pacientes que meus pais atenderam nos anos 80. Quando uma família inteira escolhe o mesmo lugar por três gerações, isso diz mais do que qualquer número. O segundo é amplitude. A Uniclin nunca foi apenas um consultório nem apenas um laboratório de imagem. São mais de 30 áreas médicas e de saúde, duas unidades no centro da cidade, cerca de 50 colaboradores e mais de 60 profissionais entre médicos e demais profissionais de saúde. O paciente resolve a consulta, o exame e o retorno no mesmo lugar — e isso, para quem vem de outro município, faz toda a diferença. O terceiro é investimento em diagnóstico. Sempre fomos referência em Ultrassonografia, e após a chegada da Ressonância Magnética e Tomografia Computadorizada, preenchemos uma lacuna na região e nos consolidamos na área de imagem, com uma equipe de subespecialistas em cada parte do corpo. Manter alta complexidade funcionando no interior exige investimento contínuo e equipe qualificada, e essa foi nossa aposta. Ainda falando sobre tecnologia, estamos em processo de implantação de inteligência artificial em nossa central de atendimento e lançamento do novo site. JVA: A Uniclin completou mais de 40 anos de atuação. Que avaliação o senhor faz da contribuição da clínica para o fortalecimento da saúde privada em Valença e no Baixo Sul? Dr. Ronald Neto: Prefiro responder isso pelo que teria acontecido se a clínica não existisse. Realizamos algo próximo de 100 mil atendimentos por ano. A maioria é de Valença, mas uma parte relevante vem de Cairu, Taperoá, Ituberá, Camamu, Nilo Peçanha, Igrapiúna e outros municípios do Baixo Sul. Sem uma estrutura como esta na região, boa parte dessas pessoas teria que se deslocar para outras cidades-polo ou para Salvador. Isso significa mais tempo, mais custo com transporte e hospedagem, dia de trabalho perdido, acompanhante que também deixa de trabalhar. Para muita gente, essa conta simplesmente não fecha — e o que acontece é o cuidado à saúde ser postergado. Então a contribuição principal, na minha avaliação, foi de proximidade. Trazer para perto o que antes estava longe, especialmente no diagnóstico de alta complexidade. E, junto com isso, ajudar a fixar profissionais na região, que encontram aqui boas condições de trabalho. Nada disso é mérito exclusivo de uma clínica, é claro. A saúde regional se constrói em parceria com o serviço público, as prefeituras e a iniciativa privada. Mas acredito que a Uniclin cumpre bem o papel na parte que lhe cabe. JVA: Onde o senhor imagina a Uniclin daqui a dez anos? Dr. Ronald Neto: Imagino a Uniclin consolidada como referência em diagnóstico por imagem no Baixo Sul da Bahia — não pela estrutura e aparelhos, mas pela confiança do médico que solicita o exame e recebe um laudo em que pode se apoiar para decidir. Imagino o Day Hospital funcionando, com procedimentos das principais especialidades cirúrgicas e endoscópicas sendo resolvidos aqui, com segurança e alta no mesmo dia. Imagino também a clínica com soluções próprias que facilitem o acesso financeiro ao cuidado, para que o custo deixe de ser o motivo pelo qual alguém adia um exame. E, por fim, projeto a Uniclin em um patamar que a coloque em diálogo com movimentos maiores do setor de saúde no país. O mercado brasileiro está se organizando em redes e ecossistemas, e instituições regionais sólidas passam a ter um papel — e um valor — nesse tabuleiro. Parte do meu trabalho é deixar a casa preparada para qualquer cenário: com governança, indicadores e resultados que sustentem conversas nesse nível. Em uma frase: uma Uniclin que seja, de fato, um ecossistema de saúde — diagnóstico, prevenção, tratamento e procedimentos integrados —, com raiz em Valença e alcance regional. JVA: Ao assumir oficialmente a direção geral, qual mensagem o senhor gostaria de transmitir aos colaboradores, ao corpo clínico e aos pacientes que acompanham a trajetória da Uniclin? Dr. Ronald Neto: Aos colaboradores: vocês são o primeiro contato do paciente e a lembrança mais marcante. Meu compromisso é construir um lugar onde se possa crescer, com processos mais claros, condições melhores de trabalho e oportunidade de desenvolvimento. Ao corpo clínico: minha função é criar as condições para que vocês pratiquem boa medicina — estrutura, agilidade e suporte administrativo eficiente. Nosso canal de diálogo continua aberto como sempre foi. Aos pacientes: a gestão se renovou, mas o compromisso é o mesmo que trouxe vocês até aqui nessas quatro décadas. Vamos investir, modernizar e ampliar — sempre com o objetivo de que vocês precisem viajar menos, esperar menos e ser cuidados melhor, aqui mesmo, perto de casa. E, por fim, à minha família. Continuar o trabalho que meus pais, Dr. Ronald Filho e Dra. Marcia Cristina, começaram é a maior responsabilidade que já assumi na vida — e eu a assumo com muito orgulho. Conto com o apoio dos meus irmãos Diego e Stephanie, que contribuem nas áreas jurídica e de controladoria, respectivamente, além de ter agora minha esposa Sara como parceira de trabalho na Uniclin Pró-Saúde. Foto em destaque: Divulgação/Uniclin Pró-Saúde Deixe uma resposta Cancelar respostaSeu endereço de email não será publicado.ComentarNome* Email* Website Salvar meus dados neste navegador para a próxima vez que eu comentar.