moacir-saraiva

No período de São João, há um costume, aqui na Bahia e no nordeste inteiro, de muitos comerciantes colocarem, à disposição dos clientes, garrafas de licor, amendoim e outras iguarias próprias deste período, é uma maneira de cativar e de fidelizar o cliente. O sujeito vai à loja, faz uma compra e bebe uma dose de licor ou come um pouco de amendoim ou pedaço de milho, enfim, se serve de um pouco daquilo que lhe é oferecido, como cortesia, pelo empresário.

Um comerciante de um bar fazia isso há alguns anos e, agora, sem ninguém saber o porquê, retirou este pacote de iguarias, poucos dias antes das festas juninas. Os clientes estranharam essa atitude,  pois já era uma tradição e, inclusive, a mesa era bastante farta.

Faltando uns seis dias para a festa junina, chegaram quatro rapazes, ao bar, procuraram uma mesa próxima às iguarias, tomaram seus assentos, pediram uma cerveja, começaram a beber e jogar conversa fora. O tempo passou,  eles conversavam, riam e pegando iguarias da mesa, inicialmente alguns amendoins cozidos, paralelo a isso, começaram a beber o licor posto apenas para os clientes bebericarem e, ao término da farra, estes quatro fregueses deixaram a mesa das iguarias sem nenhum produto, a única despesa deles foi uma cerveja.

O dono estranhou, mas, em nome da educação, nada disse.

No dia seguinte, ele colocou as iguarias, e novamente os mesmos jovens apareceram e repetiram o ritual do dia anterior.

No dia subseqüente, o comerciante, não mais postou na mesa as iguarias. E os jovens chegaram, observaram, demoraram um pouco e se retiraram.

Diante de pequenas atitudes como essa, é que se vê o grau de honestidade das pessoas. Pode-se dizer ou não que estes quatro jovens formaram uma quadrilha para saquear o bem público?

São comportamentos assim que constatam ser o brasileiro um sujeito desonesto e gente desonesta não vota em gente honesta. O Brasil vai melhorar quando tivermos cidadãos que respeitem uma fila, que não queiram tirar proveito nas pequenas coisas, mas enquanto isso não mudar, vamos eleger figuras exóticas, figuras incompetentes e os cunhas da vida, os Calheiros, e tantos e tantos outros espalhados em todos os municípios, em todos os estados e no governo federal.

Enquanto os jovens desviavam as iguarias de uma mesa, os políticos que nós elegemos desviam do Brasil, por ano, duzentos bilhões, 200 bilhões.

Políticos eleitos pelo povo brasileiro, ou seja, por nós.

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