moacir-saraiva

Não vou fazer alusão a um amigo falador da morte, cujos textos, os últimos, estão permeados deste assunto, farei um contraponto, não hoje, pois o assunto é instigador, entretanto, ainda não maturei o tema devidamente.  Agora, vou me reportar, aqui, a um sujeito que dava pinote e saia a correr quando o assunto falado era o passamento.

A mente humana tem nuancesainda virgens e que a ciência não entende, o cérebro e seus movimentos, suas manifestações ainda estão muito além dos avanços da medicina que o estuda.

Os males do cérebro  desde neurodegenerativas, como Alzheimer, Parkinson, Huntington e esclerose múltipla aos acidentes vasculares cerebrais (AVC), neoplasias, epilepsia, ou disfunções psiquiátricas diversas, bem como outras diretamente ligadas ao envelhecimento, de origem genética ou traumática, todos eles já identificados e nominados pela ciência, mas a maioria não tem cura, há apenas paliativos.

O mais grave para as pessoas com cérebros danificados são as conseqüências, uma vez que as manifestações comportamentais são as mais diversas possíveis, tornando o paciente, na maioria das situações, um animal de estimação para a família, tamanho é o dano nas áreas motoras, comportamentais e de auto-estima. Há aqueles confinados em casa ou em abrigos, ainda em outras casas especializadas ficando longe dos olhos da sociedade, no entanto, há muitos seres humanos perambulando pelas ruas, com as suas faculdades mentais fora de controle.

Existem alguns cujos danos existem, mas não a ponto de se tornarem inválidos para conviver no meio da sociedade. São taxados de cabeça dura, outros são alcunhados de “doidos” , mas uma doidice aceitável.

O sujeito era “normal” nas rodas de conversas, nas mesas de bares, no seio da família, desde que não se falasse em morte. Em casa, por mais que se evitasse falar do assunto, sempre morre alguém e se comentava, no dia que morria alguém e ele tomava conhecimento, passava três dias sem sair de casa, pois acreditava e difundia que se saísse iria morrer, ademais, ficava mal humorado, brigava com os filhos, com a mulher, enfim se transformava em um brutamontes.

Este medo mórbido da morte, provoca uma série de sintomas em que o paciente se enclausura -distúrbio mental, conhecido como tanatofobia. Este moço era portador deste transtorno e perdeu um filho, um jovem de 17 anos, o rapaz carregava seu nome acrescentado de Filho, o pai, João Pedro e o filho João Pedro Filho. No enterro os médicos doparam Sr. João Pedro, só assim, ele poderia enfrentar aquele momento de muito infortúnio para a família, mas principalmente para ele e a esposa.No velório, o pai não esboçava no semblante nenhuma manifestação de tristeza, devido às fortes drogas que os médicos o injetaram. A mãe chorosa e desesperada, ao lado dele e próximo ao caixão no qual estava o filho, repetia:

– Meu Deus, não leve meu João Paulo!

O pai, ao lado da mãe, e sempre que ela falava este desabafo, ele a cutucava e dizia:

– Repita, João Paulo Filho. Eu sou eu, estou vivo, estou vivo, estou vivo, estou vivo, estou vivo, estou vivo.

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