Tronco apresenta fenda e apodrecimento A remoção da castanheira-do-Pará de cerca de 400 anos, localizada em terreno particular no município de Valença, teve início nesta quarta-feira (03) com previsão de término para o próximo sábado (06). Dezenas de moradores acompanham a ação num misto de saudade pela presença histórica da espécie no bairro do Amparo e sua importância socioambiental, e alívio pela preservação da vida humana ao eliminar o risco de queda da castanheira que há muitos anos apresenta uma fenda em seu tronco, e de acordo com laudo realizado por empresa especializada corre um risco de queda considerado alto. A árvore possui cerca de 50 m de altura e quase 7 m de circunferência, sendo enquadrada como Espécie Ameaçada na categoria Vulnerável.

Moradores acompanham a operação de remoção da castanheira-do-Pará

 

 

 

 

De acordo com o encarregado da equipe responsável pela remoção da árvore, Deivisson Medeiros dos Santos, dez pessoas estão envolvidas na ação. “Nós vamos podar todos os galhos da árvore que são sobressalientes, depois vamos podando o tronco de dois em dois metros até chegar ao nível do solo”, afirmou em entrevista ao Jornal Valença Agora.

Equipe se prepara para remoção da árvore

A quantidade de caminhões e equipamentos também chama atenção de quem passa pelo local da remoção.  O coordenador de segurança do trabalho, George Gomes, explica que todo o aparato é necessário para manter a segurança da operação. “Nosso primeiro objetivo no abate dessa árvore é segurança, porque o alto grau de risco que tem pra população, tem pra nossa equipe, então utilizamos equipamentos superdimensionados que conseguem erguer com bastante tranquilidade as peças que serão cortadas, todos os equipamentos inspecionados diariamente e equipe treinada. Estamos aqui com todoo aparato legal para que esse trabalho ocorra de forma bem tranquila”, avaliou o coordenador.

O jornal Valença Agora acompanhou nesta tarde as primeiras ações para a remoção da Castanheira e conversou com alguns moradores do entorno. Leia alguns depoimentos:

Silvio Tavares Oliveira - Proprietário do terreno onde encontra-se a Castanheira-do-Pará“A árvore está no meu quintal, e há vinte anos apareceu uma fenda pequena no tronco da árvore e eu comecei a procurar os órgãos competentes, mas não foi tomada nenhuma atitude e a fenda foi se alastrando […] Nossa preocupação era de acontecer uma tragédia, os moradores já estavam abandonando suas casas pra dormir fora, eu já queria me mudar daqui porque a árvore está comprometida, de acordo com a empresa que fez a avaliação. […] Eu estou muito triste, não era o meu desejo ver isso aí, mas aconteceu porque as autoridades não deram valor nenhum a esse arvoredo. Nós que somos moradores daqui vamos sentir falta, mas temos que preservar a vida das pessoas.” – Sr. Silvio Tavares, aposentado, morador do Amparo há quase 50 anos.

 

Sra. Maria da Hora“A maioria das pessoas já se mudou aqui dessas casas por causa da árvore, eu estou aqui porque já moro há muitos anos e também não posso sair assim e deixar a casa, tenho que ficar, mas pedindo a Deus todo dia que a sustente pra não cair nas casas, nem na minha, nem na dos outros. Quando começa a chover a gente já não dorme mais preocupada com a árvore. A gente aceita a derrubada, mas com dor no coração porque já são muitos anos convivendo com ela aí na frente.” – Maria da Hora, moradorado Amparo há 70 anos.

 

Sra Maria de Lourdes“Eu moro aqui ‘não é de hoje’. Essa árvore pra mim representa muita coisa, mas pense essa árvore ‘derrubar’ em cima de uma casa dessa, eu me preocupo, mas a vida é essa mesmo. Ela vai deixar muita saudade.” – Maria de Lourdes, 87 anos, moradora do Amparo.

 

 

Sr. Josafá Magalhães“Essa árvore tem 400 anos, é uma coisa muito boa, só que se ela cair vai matar ‘meio mundo de gente’, então evitar é melhor do que esperar que caia. Se ela cair essas casas aqui do Amparo, com a raiz grande que ela tem vai abalar muitas casas. É uma pena, é uma perda pra nossa cidade, mas tem que derrubar.” – Sr. Josafá Magalhães Cunha, morador do Amparo.

Entenda a decisão da remoção

 

A ação é fruto da preocupação dos moradores do entorno da árvore, que há muitos anos se preocupam com sua possível queda devido a uma fenda em seu tronco, o que poderia ocasionar diversos estragos, inclusive a perda de vidas humanas. Esta preocupação foi levada à diversos órgãos ambientais, mas somente em 2015, buscou-se um estudo sobre a real situação da castanheira, que acredita-se ser o único exemplar em Mata Atlântica na zona urbana, já que a espécie é originária de Floresta Amazônica.

Castanheira-do-Pará possui cerca de 50 metros

A Prefeitura de Valença através da Secretária Municipal do Meio Ambiente – SEMA e O Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente – CODEMA, contrataram a empresa Bioconsultoria Ambiental Ltda. para executar a avaliação da Castanheira. A empresa utilizou metodologia desenvolvida pela Sociedade Internacional de Arboricultura – ISA (sigla em inglês), como um conjunto de técnicas que visam promover a segurança das pessoas e dos patrimônios públicos e privados, através de uma abordagem sistemática e padronizados de avaliação do risco de árvores.

 

Os dados colhidos pela equipe técnica resultaram em um relatório que foi apresentado ao CODEMA, sinalizando várias condições de preocupação relacionadas aos galhos, ao tronco, às raízes e à copa. Na conclusão de acordo com a avaliação feita em campo e análises técnicas com base nas informações levantadas, a classificação geral de risco de queda da árvore castanheira-do-pará é considerada ALTO, o que motivou a decisão da remoção.

 

Fotos: Jornal Valença Agora

 

Não perca reportagem completa sobre a Castanheira-do-Pará de Valença, na edição impressa do nosso Jornal Valença Agora

 

 

 

 

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