Eduardo Pereira - matutando

Até bem pouco tempo atrás, ouvia-se um barulho ensurdecedor, coisa a priori monumental; eram as mais diversas campanhas eleitorais. Carros de som, no mais alto volume circulavam pelas ruas do centro e dos bairros das cidades, foguetório, a nos assustar com seus estrondos, reuniões, carreatas, pessoas eufóricas, como se dizia antigamente: “fora de si”, andavam à pé, em carros, motocicletas sem os escapamentos (descargas), uma barulheira, um completo alvoroço.

O período de campanha eleitoral, evidentemente se encerra com as eleições propriamente ditas. Aí como numa peça teatral, eis que todo esse aforçuramento tem seu fim decretado e, entra-se num profundo silêncio. Cortinas fechadas, o próximo ato da peça irá ser encenado. Com certeza os mais diversos atores do ato anterior sairão do cenário, figurantes, nem pensar, não haverá espaços, só atores principais irão participar das cenas.

Agora você anda pelas ruas das cidades, ainda cedo da noite e, não encontra mais aquele cenário de outrora. Ao contrário, as ruas do centro estão desertas, tudo “soluto”. Uma pergunta se faz necessária: Onde foi parar toda aquela gente? Pergunta de difícil resposta, pois todos como que num passe de mágica, escafederam-se. Entretanto, não será arriscado dizer que, nas próximas campanhas eleitorais esses atores sociais retornarão, possivelmente

com maior força e logo em seguida desaparecerão de forma repentina.

As cenas do próximo ato, o público não sabe, porém certamente, o “diretor” e os “atores principais” as conhecem e sabem de cor e salteado, pois a cada quatro anos se repetem, mudando de vez em quando e muito raramente alguns poucos atores. Seguramente o povo não fará parte dos próximos atos da peça.

 

*Publicado na edição impressa nº 598, do jornal Valença Agora.

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