moacir-saraiva

Não se sabe se foi coincidência, o fato é que, ao ser liberado o início da campanha eleitoral, muitas ruas da cidade de Valença amanheceramcoberta por sal, não se concentrando em apenas um bairro, o sal foi visto em vários pontos da cidade.

Todos se perguntaram, o porquê desta avalanche do cloreto de sódio pela cidade. Surgem mil e uma interpretações e nisto o povo é bastante criativo, sendo que duas delas predominaram.

Um segmento da sociedade, diante da presença do sal, fez uma leitura bem pragmática, afirmando que a cidade estava insossa. Mas insossa em quê? Algo insosso é algo sem tempero, insípido, sem gosto nenhum, atribui-se também a algo maçante, tedioso. Mas Valença não é nada disso, pelo contrário, é uma cidade com muito tempero, assim como a culinária valenciana se destaca pela presença muito forte de pimenta e do sal também bem carregado, a cidade tem seus temperos, suas igrejas, seus eventos, muitos bares, muitas escolas, faculdades, tem um comércio forte, tem emissoras de rádio, jornais, é uma cidade que cresce, inclusive na violência. Quem fez esta leitura, está totalmente equivocado. A cada dia, esta cidade é mais apimentada, a cada dia, as ruas, os bares, os salões de beleza têm assunto novo que toma conta da língua do povo, isso é sinal de uma cidade temperada e com muitos ingredientes.É uma cidade cheia de graça, ela tão graciosa que durante o dia muda de ares, muda de visual, muda de tempero pela maré, maré alta tem um encanto fantástico, maré baixa, parte da cidade se desnuda. Neste aspecto, como dizer que é uma cidade é insossa?

Uma segunda leitura que invadiu o imaginário dos valencianos, consistiu na ausência de fatos novos, segundo os defensores desta tese, o sal veio como um fato novo para dar o que falar. Como se diz no jargão político, às vezes, é necessário que se criem “factóides” para inculcar idéias novas, ainda que sejam mentirosas, falsas, o importante é manter a mente do povo ocupada. Neste sentido, até teve repercussão a avalanche de sal na cidade, durante uns dois ou três dias, o assunto que imperou foi o salgamento das ruas valencianas.

O povo falou e muito, no entanto, muito desconfiado. Mesmo que na casa de alguns mais pobres o sal estivesse faltando, ninguém se arriscou a pegar um pouco do que fora jogado na rua para levar e não deixar sua comida insossa. O povo é desconfiado para alguns fatos. Alguns, ao se depararem com as ruas esbranquiçadas pelo sal, paravam, olhavam e repetiam parafraseando um ditado popular: “sal na rua ou tá encomendado ou é coisa do demo”, nenhum ser vivente teve coragem de pegar um punhado, por menor que fosse. Uns olhavam para a quantidade do produto branco narua, se benzia e dizia:

– Que coisa feita é esta?

Não se sabe a motivação de quem fez este ato, no entanto, em pleno século XXI, uma cidade ser divulgada pela presença de sal nas ruas é muito estranho. Ainda mais que nossa cidade é pujante, é uma cidade interiorana que, como todas, tem defeitos, mas jamais insossa.

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